Sei pouco mas sinto demais!
Gosto do cheiro da terra molhada e do toque sereno do vento roçando-se nos pinhais, sem Tempo nem Idade.
Tenho na alma a robustez das serranias e no olhar ...lágrimas de saudade!
São de granito as palavras que arremessas… e beijas, sem pressas, cada sílaba…cada som.
Na minha pequenez cada palavra eu arrecado e com ela construo a escada que me levará, ainda que sangrando, para o outro lado!
Povo que me fez crescer a acreditar no trabalho com honra e orgulho…
(Foto de BlueShell) - Portugal
Povo que sabe o que dizem os ventos, as estrelas …
Povo que luta e cai e se ergue e reza e luta de novo…
(Foto de BlueShell) - Portugal
Povo que leva seus filhos à guerra e tanta vez os lá deixa ou os enterra…
Povo que reza seu terço e acode ao rebanho(o borrego que teima em não nascer) ou à junta de bois…atulhada na lama de um lameiro num inverno chuvoso…
(Foto de BlueShell) - Portugal
Povo que teme o granizo mais que do Padre o aviso do inferno…
(Foto de BlueShell) - Portugal
Povo que arrecada a lenha com que se aquece de inverno…
Povo que se veste de festa ao domingo só porque é domingo
Homens que se juntam no café para um jogo de cartas
E uns copos de vinho …que
a Maria , lá em casa, farta de lavar roupa fará saber , numa
algazarra, que não gosta de bêbados mandriões. Mas à noite , a sós, farão amor
como animais, como ninguém mais porque nesse ato estão eles e toda a terra que
eles amanham, e que é alma e vida e sangue nas suas veias.
Povo que deixa o suor nos campos, nas vindimas, na arranca
das batatas, no desbravar das silvas que teimam em galgar muros e terras, na
ordenha do gado, no lavrar do chão…
Povo que treme de frio na apanha da azeitona, no guardar dos rebanhos pelos montes em dias
escuros de inverno quando o nevoeiro e os lobos ameaçam os ossos e os animais…No
bolso a merenda…um talhada de broa com uma fatia de queijo curado. Água…há muita
a escorrer dos muros das jeiras. E à noite o caldo quente vale por quantos petiscos a gente da cidade,
vaidosa e falsa pode sequer imaginar na sua opulência e ostentação de
grandeza….
(Foto de BlueShell) - Portugal
Povo…meu povo…que eu amo e admiro…
Deixa-me voltar ao teu
seio…
Quero trazer comigo , no corpo, a fragância das giestas, do rosmaninho,
a alegria da romarias…e na alma a candura de quem só pede um pouco de paz para
aí terminar seus dias
1. Avisar o blogueiro que indicou, quando fizer o post
2 - Ser sincero/a nas respostas ou não responder.
3 - Ter que fazer 5 indicações de blogues para que tenha
continuidade.
4 - No final da postagem dedicar um tema a quem o indicou.
5 - Se for contra estas regras recusar-se a fazer.
Vamos então às perguntas!
1. Algo que você não fala para ninguém?
Dos meus medos, sejam eles reais ou imaginados….falar dos
meus medos seria deixar-me vulnerável ...numa sociedade que ostraciza os fracos
e privilegia os mais fortes….
2. Se você pudesse ouvir apenas uma música no próximo mês,
qual seria?
"Love
of my life". Fred Mercury; porque foi uma música que me marcou numa
fase complexa da minha vida!
3. Um sentimento que nunca sentiu.
A felicidade de trazer dentro de mim um filho, de ser mãe.
4. A pessoa mais importante para você.
Aquela que me deu a vida. Outras pessoas há, também
importantes, mas sem ESSA…eu não estaria aqui!
5. Agora onde você queria estar?
Na minha aldeia, rodeada pelas árvores e montes, ouvindo os
badalos das ovelhas e deixando a alma repousar-se na pureza do azul do céu.
Queria sentir a erva molhada do orvalho, molhar os pés descalços nos regos de
água de regar as couves….
6. Já deram um tapa na sua bunda, gostou?
Já. Doeu! Detestei!!! Apeteceu-me ripostar e partir-lhe o
nariz…mas como sou pacífica…não o fiz.
7. Quem levaria para uma ilha deserta?
O meu marido. Se bem que ele ia desesperar ao fim de algum
tempo… Terei de repensar esta resposta. Porque levá-lo comigo para uma ilha
deserta seria condená-lo a uma tortura que ele não merece!!!
8. Quem você mandaria
para o Iraque com uma camisa escrita " I love USA"?
Uma pessoa cujo nome não posso dizer pois teria , de imediato,
um processo disciplinar.
9. O que deixa a sua vida de cabeça para baixo?
A mentira , a hipocrisia e a violência.
10. Se alguém lhe dissesse que você poderia realizar um
sonho agora, qual seria?
Ter uma varinha de condão.
11. Algo que gostaria de fazer, mas que não tem ou teve
oportunidade?
Ser mãe.
12. Você não sai de casa sem o quê?
Sem chaves , sem telemóvel, sem cartão de identificação, sem
alguns trocos para café e uma água.
13. Já beijou ou beijaria alguém do mesmo sexo?
Sim, na face.
14. O que estaria fazendo se não estivesse fazendo isto?
A pensar que provavelmente devia ter comido apenas salada e
deixado o bife para o almoço de amanhã. Assim, não vou emagrecer nunca!
15. O que está pensando agora?
Que amanhã vou comer só salada mesmo, ou eu não me chame
Isabel!!!
Devagar, para não perturbar teu dormir, levantei-me e desci
as escadas como faço todos os dias. Mas hoje era um dia especial e meu coração
estava cheio de uma secreta alegria.
Escuro como breu fui acendendo as luzes à minha passagem e,
uma vez na cozinha, apaguei as luzes trás de mim.
Liguei a máquina do café e fui tomar um duche. Queria ter as
ideias claras. Precisava fazer-te uma surpresa mas nada me ocorrera ainda.
De novo na cozinha, já com um café quentinho à frente recuei
no tempo e …vi-nos aos dois com menos 30 anos. Quantos sonhos meu amor, quanto
idealismo…quantos momentos de alegria e de tristeza também. Mas o Amor…ah…esse
está intacto. Mentira…está mais sólido, mais Forte, mais maduro, mais cúmplice….
(Foto de BlueShell) - Portugal
Oh, meu amor…hoje, no dia do TEU ANIVERSÁRIO, queira tanto fazer-te
uma surpresa, fazer-te o mais belo poema de amor e não consigo. Esse poema, amor,
está dentro de mim, sou eu inteira, sou eu toda…não podem as palavras sair de
mim para um monitor ou um papel…porque eu não posso me desdobrar em matéria…seria
morrer. Mas se, para provar meu amor por ti, eu tiver que morrer, então eu
farei esse poema sair de mim para uma folha de papel….
Não tenho feito as visitas que gostaria, a todos quantos
aqui vêm, porque os meus compromissos profissionais me tomam meu tempo quase
todo.
Sim, sou professora. Docente desde 84, escolhi essa
profissão como quem abraça uma missão. Devoção, nunca obrigação.
(Foto
de BlueShell) - Mangualde, Portugal
Dei de mim toda a
minha energia, todo o meu saber, todo o meu carinho e amor, toda a minha
juventude, toda a minha vida de mulher …à escola, aos alunos…
Nunca reclamei…nem quando, por vezes, me apetecia chorar.
Deixei , tanta vez de prestar apoio à família para me
entregar à escola…ao que eu julgava serem esses os tais ideais de “fazer a diferença”. Levava, isso sim,
comigo para casa os problemas de alunos de famílias quase desfeitas ou sem
recursos.
Me gastei.
Hoje, fisicamente debilitada e psicologicamente desiludida
pergunto-me de que valeu toda essa dedicação ao longo dessa “viagem”!
Meu pai faleceu…será
que estive presente quando ele precisou de mim…ou estive na escola…tempo
demais? Meu marido teve cancro..será que o acompanhei…ou estive na escola…tempo
demais?-…Minha mãe está fraca e doente…estarei dando mais atenção à escola do
que à minha mãe? Decerto! E um dia vou lamentar isso….
(Foto
de BlueShell) - Mangualde, Portugal
Quando a gente ao fim de quase 28 anos de dedicação ao
ensino começa a colocar tudo isso em causa é porque algo não está bem… Mas não
está mesmo!!!!
(Acabei de ser informada que foi suspenso o curso de Educação e Formação de Adultos que este ano me encontrava a lecionar. Ninguém tem respostas. Como eu muitos serão os professores nas mesmas condições, nomeadamente, o meu marido. Os adultos que iriam ter aulas comigo logo à noite ainda não sabem que a formação está suspensa...)
NOTA: O curso de Educação e Formação de Adultos foi reaberto na minha
escola e em mais algumas.
Penso que houve precipitação por parte de alguém com todos
os danos que a curto, médio e longo prazo isso implica.
Começaram as aulas! Uma semana depois suspendem o curso; 2
dias depois reabre o curso. Qual a confiança dos adultos neste momento? Alguns
começam a desistir. Vão investir o seu tempo, em noite frias de inverno, em
transportes próprios, vindos de aldeias remotas para…um dia destes alguém se
lembrar de suspender, de novo, o curso?
Depois…diminuindo o número de alunos a frequentar a turma, esta deixa de ter o número exigido por lei e então o curso encerra mesmo definitivamente! (Entendeis
agora porque razão não estou a vibrar de euforia e contentamento???)
Entrei, a medo, na velha casa, povoada de antigas presenças
ainda vivas… em mim…
Mas,…se eram minhas, porque me sentia eu uma intrusa ali?
(Foto de BlueShell) -Mangualde- Portugal
Deambulei pelo meio de sonhos e tempos…espelhos sem reflexo
onde habitavam, lentos, os estilhaços de ser…
Súbito, em pânico, quis regressar a mim, ao meu presente…porque
o passado me doeu demais….
(Foto de BlueShell) - Mangualde-Portugal
E chorei!
…porque não sou deste tempo…e quando julgava ter abrigo nas
memórias de outrora…elas hoje, à luz quente
do sol, vestem de negro-frio e de ruína e nada têm para me dar… também!
Olho a folha em branco e nada vejo ,nada sinto… Meus olhos a percorrem na avidez de quem procura um laivo de inspiração. Mas o branco da folha permanece , atroz…e teima em dizer, repetida e teimosamente: “Não”!
O desalento prestes a tomar conta de mim…quando sinto passos apressados….
Oh…É Helena que sobe ágil e rapidamente as escadas de granito da pequena e velha habitação. Traz ao colo o garoto mais novo de quase 1 ano; carrega-o de lado só num braço apoiando-o na anca. No outro braço a alcofa da merenda , agora vazia que foi levar ao campo a mais de hora e meia de caminho. João, o seu homem, mais o António, o vizinho andaram todo o dia no lameiro mais a junta de bois a lavrar e a fresar a terra. Daí a nada começava a escurecer e ela teria de lhes dar um prato de sopa e uns nacos de broa e queijo.
Já na pequena cozinha coloca o garoto numa manta, no chão, e ateia as brasas da pilheira. É preciso fazer o caldo para a ceia – pensa Helena.
Enquanto partia o caldo e descascava as batatas deixou-se levar pelos seus pensamentos e nem deu conta do passar do tempo… Era menina ainda quando João lhe falara e antes que ela pudesse decidir já seus pais tinha autorizado o casamento. Tinha então 17 anos. Sabia ler e escrever, sabia costura, sabia da lavoura, sabia da lida da casa…mas não sabia ser esposa/mulher.
Tantas vezes se sentira violada pelo marido quando este, vindo das terras, suado e a cheirar a vinho teimara entrar dentro dela à força…e assim nasceram os dois filhos….
(Foto de BlueShell) - Mangualde, Portugal
Tinha três irmãos mais velhos cujo paradeiro desconhecia. Sabia que estavam emigrados…mais nada sabia deles. Agora tinha o seu homem e seus dois filhos, mais ninguém. Oh…o Álvaro!
Sobressaltada, Helena olhou pela janela e pareceu-lhe que Álvaro já devia ter chegado com o rebanho. Já não era cedo: ter de arrumar as ovelhas, fazer a ordenha…ia para de noite. Que andaria o rapaz a fazer? O caldo já fervia na panela de ferro…O garoto começou num berreiro que a deixou mais nervosa. Deviam ser os dentitos, pensou. Deu-lhe uma côdea de pão e ele sossegou.
Não sabia o que fazer.
Súbito pegou no garoto, agasalhou-o num xaile e correu pelo carreiro de acesso aos prados onde Álvaro andaria com o rebanho. Em cima da mesa, a lápis, num papel pardo duas palavras, “procurar Álvaro”!
E correu mais de meia-hora…quando, já sem fôlego, ouviu o ruido dos badalos das ovelhas. Parou de correr mas o seu coração de mãe adivinhava coisa ruim.
O gado andava disperso…e não via o filho de apenas 8 anos. Num fio de voz chamou o seu nome…e um gemido veio de perto de uma macieira “mãe, estou aqui, mãe”!
- “Oh filho, eu estava tão aflita, que aconteceu?”
- Acho que parti um pé…saltei abaixo do muro para ir atrás de 2 cabras que iam a fugir e não me consegui levantar mais…”
- “Pronto, estou aqui, eu levo o gado e trago o teu pai – num instante estarás em casa”. “ – Trouxeste o Aníbal…!
- Sim, não podia deixá-lo sozinho em casa. Tive medo que fosse para lareira e se queimasse. Adormeceu de cansaço, coitadito….
E Helena pegou-lhe , com cuidado, para o mudar de posição. Foi então que ficou branca e seus olhos só deixavam transparecer terror.
– “Mãe? Mãe, o que é que ele tem? Está azulado…os beiços roxos…que é que ele tem, mãe?
- “Ele dorme, com os Anjos”.- respondeu Helena com uma voz rouca . Apertou o filho junto ao seu peito e assim ficou longo tempo.
(Foto de BlueShell) - Mangualde, Portugal
E Helena olhava, sem ver, a imensidão dos montes à sua frente…o infinito de terras …e de sofrimento que a enterrava viva ali, naquele momento.
Do que se passou a seguir Helena não soube mais nada. Apagou-se ali, naquela hora, a sua Luz.
Não sabia, porque nunca ninguém lhe houvera dito que, na sua correria com seu filho ao colo, poderia provocar-lhe a morte…ela não sabia e nunca o soube…porque nunca mais recuperou o entendimento…
…e a minha folha de papel voltou a ficar branca…apenas manchada por aquilo que são alguns pingos de lágrimas vertidas por Helena…