quarta-feira, janeiro 14, 2009

“Life's but a walking shadow..."

daneve1.

(foto de BlueShell)



Sublime existência esta…que traz desde o ventre a sina traçada. Todos decidem tudo por nós porque é “para nosso bem”.

E nós, actores principais de uma peça que é a vida assistimos, passivos, ao nosso desempenho. Assistimos do lado de fora, do lado da plateia. Vemos a nossa actuação, tão de acordo com o que os outros esperam de nós. E aplaudimos…no fim, aplaudimos efusivamente…estupidamente…

Repetimos gestos, falas, opiniões, iramo-nos, amamos, rimos à gargalhada!…que triste! Nenhuma daquelas opiniões era a nossa, nenhuma lágrima vertida era autêntica, nenhuma gargalhada era espontânea…e o amor, esse, estava no papel…não o viveu o coração, não o sentiu a alma!…foi sempre tudo a fingir…porque alguém um dia escreveu um “Guião” que tivemos de seguir!

E Nunca soubemos o que era a cor de um beijo, nem o sabor de um corpo suado colado ao nosso depois de se fazer amor! Não soubemos o significado da palavra “descoberta”, nem o sentido de todas as montanhas, das árvores ou oceanos. Acreditámos que nada mais havia para além desse palco onde fomos actores iluminados por focos de intensa luz…uma luz que cega e não deixa ver quem assiste do lado de lá, do lado da escuridão, esse lado que não nos é permitido desvendar.

Depois, vem o dia em que sentimos um frio na alma, um vazio no peito e uma enorme vontade de gritar: “meu lugar não é aqui, nunca foi! Minha vontade se perdeu nos horizontes do querer de outros!”

Mas então, nesse momento é tarde demais. As cortinas já correram há muito, a sala já não tem espectadores, as luzes todas já se apagaram.
E sim:


“Life's but a walking shadow, a poor player
That struts and frets his hour upon the stage
And then is heard no more: it is a tale
Told by an idiot, full of sound and fury,
Signifying nothing.”

William Shakespeare's Macbeth, from Act 5, Scene 5

9 comentários:

Artaud disse...

gostei. para mim todo o texto é um grito de acordar, de liberdade...

looking4good disse...

Escelente texto: é o teatro em que a nossa vida se converte. Em poucos momentos somos genuinamente o «eu» e na maior parte do tempo somos apenas a personagem!

Amaral disse...

Pois é... O guião pode, na verdade, estar já escrito.
Quando verificamos e sentimos que ele foi "escrito" por outros, que não nós, nunca é tarde para o modificar...
É verdade. A sala está cheia de espectadores, os actores estão a postos, sabem o seu papel e começam a sua representação, assim que as luzes "se apagam"...
O momento de parar acontece quando a consciência desperta o grito inevitável: "o meu lugar não é aqui!... Este não sou eu!..."
Então, querida BlueShell, esse instante é o renascimento do ser! Chegou a altura de escolher uma "versão" mais de acordo com a nossa verdade!

Paula Raposo disse...

Nem sempre é tarde demais. Isto é: nunca é tarde para se surpreender! Muitos beijos de obrigada pela tua visita ao romãs.

Cadinho RoCo disse...

O que não vivemos é o não vivido e assim é que percebemos em algum momento o quanto temos do vivido e não vivido em nosso íntimo.
Cadinho RoCo

Gleidston dias disse...

Um texto reflexivo,um despertar no ego, que existi inconcientemente que vivemos en conformidade com aquilo que nao temos vivido,num todo o texto chama nos atençao para viver o presente.gostei do post parabens.

obrigado pela presença.

otima semana pra voce!

bjsss

Maria de Fátima disse...

vai lá dar uma forcinha
http://intervalos.blogspot.com/2009/01/convite.html

♥≈Nღdir≈♥ disse...

Olá,

Passei apenas para te dizer que te deixei no meu "Just Feelings", um selo (BLOG DE OURO) com muito carinho e dedicação. Gostaria que o fosses lá buscar por aquilo que ele representa.

Muitos beijinhos
Nadir

angel bar disse...

Convite para Long Drink "Just The Way You Are" no Angel Bar. Monstros Electrónicos II, verídico... Bom Fim de Semana.