sábado, março 05, 2005

O que diz o poeta...

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Amo-te tanto, meu amor...não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo, de repente
Hei-de morrer de amar mais do que pude.

Vinicius de MORAES, Cadernos de poesia (1969)

14 comentários:

Metallyptica disse...

Bonitas fotos no teu blog!

Amaral disse...

Escolheste muito bem!
A exaltação do amor nasce naquilo que temos de mais profundo!
Nasce no lugar onde só o teu "eu" sabe estar.

Aluena disse...

Claro como a água. Lindo como o vento. Fugaz como a chuva que tarda em aparecer. BOM DIM DE SEMANA e BJKS.

Maria Odila disse...

Bom para quem gosta de letras. infinito para quem é de Vinícius e sentimentos para quem te le.
beijos
Maria Odila
http://digressivamaria.blogspot.com/

AS disse...

Ah... O que diz o poeta!...
Será que alguém o escuta?

Um beijo grande

wind disse...

Ecomo o Poeta sabia destas coisas do amor:) beijos

Menina_marota disse...

Boa noite BlueShell...
Ainda bem que escolheste Vinicius de Moraes.

Deixo-te aqui um dos poemas que mais gosto dele...

"Meu Deus, eu quero a mulher que passa.
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!

Oh! como és linda, mulher que passas
Que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!

Teus sentimentos são poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pelos leves são relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!

Como te adoro, mulher que passas
Que vens e passas, que me sacias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Por que me faltas, se te procuro?
Por que me odeias quando te juro
Que te perdia se me encontravas
E me encontrava se te perdias?

Por que não voltas, mulher que passas?
Por que não enches a minha vida?
Por que não voltas, mulher querida
Sempre perdida, nunca encontrada?
Por que não voltas à minha vida?
Para o que sofro não ser desgraça?

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Eu quero-a agora, sem mais demora
A minha amada mulher que passa!

No santo nome do teu martírio
Do teu martírio que nunca cessa
Meu Deus, eu quero, quero depressa
A minha amada mulher que passa!

Que fica e passa, que pacifica
Que é tanto pura como devassa
Que bóia leve como a cortiça
E tem raízes como a fumaça."

(Poema de Vinicius de Moraes)

Um abraço e bom fim de semana
;-)

Tim Bora disse...

Também eu gostaria de estar em sintonia com este poema, não estou.
Diz-me o dia para que te possa dar os parabéns, ok?
Bjoca.

O Vizinho disse...

Cá eu de poesia não pesco grande coisa... mas um cházinho e uma fatia de pão com queijo até que marchavam!

Anónimo disse...

Todo o poeta canta o Amor, mas Vinicius canta em seu modo dolente com um charme que encanta e fica na memória. Bjinhos e bfs. Amita//brancoepreto

Carla disse...

porque o amor é assim...

isa xana disse...

gosto muito de Vinicius.
boa escolha:)

jinhu

Cris disse...

Lindíssimo, O vinícius e lindíssima a música! Que bem me soube estar aqui a ler-te e a descansar!

Beijinho

Anónimo disse...

Gostei tanto de conhecer este blog,e hoje ,com este poema divino!
Votei em si ,no nick..o meu pai chamava-me muitas vezes concha...lembrei-me...não era o blog que estava em causa,votei antes de vir...mas adorei estar aqui,parabéns!