(foto de BlueShell)
Adormeci nos seus braços ternos e...não tive frio.
Adormeci em paz...
Não sonhei!
O Sonho estava ali a meu lado...
Quando acordei não havia sol...
Mas tinha dormido nos seus braços
...e estava feliz...
Porém, o dia trouxe a ausência, a saudade e a solidão...
E os meus olhos já não brilham de felicidade...
Choram de saudade...
E dói o coração
Dói o sentir
Dói o ser-se mulher
Consumida p’la paixão!!!
Sei pouco mas sinto demais! Gosto do cheiro da terra molhada e do toque sereno do vento roçando-se nos pinhais, sem Tempo nem Idade. Tenho na alma a robustez das serranias e no olhar ...lágrimas de saudade!
quinta-feira, março 09, 2006
Dor de tanto sentir
terça-feira, março 07, 2006
Palavras que tardam..
(foto de BlueShell)
O dia tristonho não me deixa ver
P’ra lá das montanhas seu olhar profundo...
É o meu amado...
Lá do outro lado ...tão longe de mim...
Sonhos alimentam o meu estar viva
E seus beijos quentes me aquietam e excitam
Me enlouquecem e agitam...
[Paradoxo do tanto querer!]
Mas o dia tristonho não me deixa ver
Para além das palavras suas,
Puras e nuas...
E as palavras tuas...que espero e desejo
Tardam em chegar
Junto com um beijo....
É DEMAIS...Uma "provação" assim....
- "Então? Como é que fica?"
- Olha, é assim....ou ponho a Matilde a ser atingida por um raio!!! Ou ponho o Dário a fazer de conselheiro matrimonial e levá-la de novo para os braços do Francisco...que a esta altura ja terá" aprendido a lição". Que me dizes?
- "Olha...digo-te que já me dói o rabo de estar aqui há tanto tempo sentada à espera do raio do final do maldito conto!
Bota lá o Dário a fazer de Conselheiro..."
- "Certo: assim fica de novo o casalinho junto mas Francisco passa a dar mais atenção à sua esposa e todos lá na Quinta grande passam a tratá-la como a senhora da casa! fica bem, então ?
- "Fica...fica....acaba lá com isso!!!
Olha e , por favor....não te metas a fazer mais contos, não? Fas umas rendas, uns bordados, aprende a fazer umas sobremesas...ou isso ...mas mais contos, NÃO!!!"
sábado, março 04, 2006
Ainda..."Provação"...sim, a que está em baixo....
- " Não, sem nada. O rapaz já sabe que é sem nada que eu tomo o café!"
- " Eu quero com adoçante...
- " Mas então olha lá. ao telefone dizias que querias reformular o final do conto..."
- "Isso mesmo. Ontem quando foste embora....achei aquilo tudo um nojo. O mínimo que posso fazer é , pelo menos, dar-lhe outro final."
- " O conto é teu, faz como entenderes...mas já sabes: nada de suicídios ou conventos...ou enlouquecer a fulana. E o gajo sempre se fica a chamar Dário? não pode ser Alexandre?"
- "Fica Dário, porra!...desculpa, não vês que estou nervosa? Tenho a Matilde fora de casa e não sei que destino lhe vou dar.... Se me ajudasses e desses algumas sugestões enquanto fumas o teu cigarro, hein?"
- " Estou a pensar...
sexta-feira, março 03, 2006
Provação II...[ ou o conto que ninguém vai ter paciência de ler até ao fim...)
E o coração de Matilde, toda a força da sua juventude ficava ali....sepultada naquelas paredes de granito, naqueles grilhões sociais...
Sentia frio, muito frio! Mas um frio que lhe invadia a vontade, o querer, o sonhar!
Matilde morria aos poucos.
Da janela e da varanda do seu quarto via toda a natureza livre e sã! E sorria. Conhecia de cor a cor de cada flor, o canto de cada ave. E sabia onde cada ninho estava....e à noite olhava as estrelas e sabia o nome delas, nomes com que as baptizara. Eram as “suas” estrelas, as “suas” flores, as “suas” árvores, os “seus” ninhos...
Francisco ocupava-se a “socializar” ...ora no “Club”, ora em festas que “dava” no grande casarão. Esses dias eram para Matilde um inferno: colocar uma máscara de felicidade, circular como dona da casa, que nunca fora, e fazer de esposa exemplar...deixavam-na mais revoltada e mais prostrada.
Mas foi numa dessas “festas” que Matilde se reencontrou consigo mesma: Dário pegou-lhe, de súbito pelo braço e sussurrou-lhe ao ouvido – “Não se assuste”; depois em voz alta e dirigindo-se a Francisco – “O meu estimado amigo permitirá que lhe roube a esposa por uns minutos, não é verdade?”
Francisco, de copo de licor na mão, assentiu com a cabeça e sorriu.
(foto de BlueShell)
Já na varanda Dário olhou-a bem dentro dos olhos azuis: - “Achei que estava a precisar de um pouco de ar da noite”...”não me leve a mal, por favor.”
- Não, eu...
- “ E também não me queira mal pelo que lhe vou dizer a seguir, dona Matilde”.
“Eu sou um homem vivido, experiente...vi falecer minha adorada esposa há anos, por culpa minha, por não saber ver...e, a dona Matilde vai-me perdoar de novo....eu tenho-a observado: a dona Matilde não anda bem. Eu não me perdoaria jamais se deixasse tudo acontecer outra vez. A minha esposa partiu deste mundo levada pela tristeza e pela solidão. Se eu calasse o que penso estaria a repetir o mesmo erro, entende?”
- “Valha-me Deus, Sr. Dário, eu...
- “ Shiuuu! Não diga nada.
A noite caía já, plena de encantamento...uma hora em que os vultos são apenas vultos e as vontades de manifestam sem preconceitos, sem nada que as possa travar...
Matilde não conteve as lágrimas. O seu vestido preto deixava realçar mais o arfar do alvo seio. Dário tomou-lhe as mãos com força, depois deu um passo e, tremendo, abraçou-a. Sentia-a soluçar, sentia o seu cabelo tão louro, tão suave... E, por um brevíssimo instante apenas, pensou poder possuí-la! Mas no mesmo momento se amaldiçoou e afastando-a de si balbuciou apenas: - “A dona Matilde não merece acarretar essa dor ! Tanto sofrimento meu anjo...Ò Deus, não é justo, isso!”
Matilde ergueu os olhos, enxugou algumas lágrimas e observou o homem que antes a abraçara tão terna e inocentemente. Era um homem bonito com os seus cabelos quase todos brancos, alto, forte mas sempre elegante. Já em outras ocasiões o olhara como um cavalheiro distinto...agora olhava-o com desejo.
Lá dentro, na grande sala iluminada a música, o ruído abafado das conversas e dos risos.
O crepúsculo dera lugar à noite. E todas as estrelas de Matilde lá estavam, únicas testemunhas de um beijo....primeiro apenas um leve roçar de lábio, tímido...a respiração quente de ambos era o que apenas se ouvia. Depois... toque de lábios transformado em beijo ardente, sôfrego, saboreado em cada boca com a loucura de um desejo vibrante, cortante...à mistura com o ritmo de corações que impetuosamente parece quererem deixar de bater...
Depois ainda, mãos desejadas que apertam e tacteiam na procura de seios como quem bebe em êxtase o cálix da Vida eterna...paradoxo do pecado cometido que excita e inebria mais e mais... e enleva corpos que se fundem sem se cansar, como Templos que se abrem para receber os fiéis em tempo de Semana Santa...
Luz e sombra, música e um respirar a Vida, um erigir vontades de ambos, inexoravelmente apaixonados...condenados...e ainda assim pecando voluntariamente...
[- “Isto já parece uma novela de cordel, não?”
- “ Deixa estar...continua. Logo se vê no que vai dar.”
- Olha que não me está a soar bem, percebes? É que depois as pessoas lêem e é uma vergonha. As novelas Venezuelanas tinham assim umas “situações” levadas do caraças...isto fica mal, pá!
- Não fica nada! Gaja teimosa, porra! Continua, carago. Estás p’ra’í com preciosismos e mais não sei quê...Afinal a ideia era fazer um texto de ficção em prosa, não era? Prontos...não entendo qual é o problema. Só na tua cabeça, pá!
- “Está bem, vou continuar...mas que não me está a soar bem, não está!!!”
- “Espera: vais matá-la? À Matilde?
- “E eu sei lá? Por um lado ficava bem...assim...uma saída “airosa”, por outro lado fica muito “pesado”, um dramalhão ultra-romântico...não te parece?
- “ Tanto faz....segue em frente com isso que já me enervas, caraças!”]
A manhã foi recebida com um enorme sorriso. Matilde abriu as pesadas cortinas sem esperar pela criada de quarto e foi à varanda onde o sol, tímido e meio a dormir, mal rompia por entre a ramagem maciça da vegetação em frente.
(foto de BlueShell)
O silêncio não a incomodava, hoje!
Pelo contrário, sentia naquele silêncio não o sinónimo da solidão mas o espaço propício para reviver todas as sensações da noite anterior. E saboreou-as, uma a uma, ali na varanda, de olhos fechados....e sentiu-se de novo nos braços de Dário, sentiu-se de novo mulher. Afinal ...era mulher, não era meretriz...apenas mulher! Mas aquela palavra...apenas pensada, fê-la abrir os olhos. Via a enorme quinta até lá ao longe. Uma brisa de ar mais frio fê-la sentir um arrepio que lhe gelou a alma. Aquela palavra...empalideceu! Num ímpeto, regressou ao quarto, correu ao espelho...Aquela mulher à sua frente, mulher esguia, envergando uma camisa de dormir alva como neve, com cabelos loiros ondulados como os de uma sereia...era ela própria. Apontou para o espelho, devagar e com o dedo indicador, acusou: “- És uma prostituta, és uma prostituta...uma...”
E ficou ali, diante de si, com um olhar esgazeado...um olhar de quem tinha nojo do que via, nojo do que sentira...ou quiçá? sentia ainda?....
E quando a criada de quarto subiu e bateu com os nós dos dedos na porta de madeira, tentou rodar a maçaneta... a porta não se abriu.
[ - “Espera lá! Alto aí! Vais meter a tipa a ficar louca?
- “Era uma ideia, não achas bem?
- “Mas explica-me uma coisa: O que aconteceu na noite anterior entre a Matilde e o Dário (não sei onde foste buscar o raio do nome para o gajo) não foi apenas um beijo e alguns apalpões?
- “ Credo, tens uma maneira tão prosaica de ver estas coisas da paixão....”
- “ Mas foi apenas isso, não?”
- “Claro que foi apenas isso...não houve mais nada. Mas tens de entender que nesta altura e para pessoas com uma educação religiosa como Matilde isso já era um pecado imenso, já era uma traição ao Francisco...”
- “ Bem feita para esse, e eu na pele dela não deixava as coisas ficarem por um beijo apenas...ia mais longe...tu sabes...hehehehe.”
- “Tem tino, vamos ver como saio desta embrulhada. Então quanto a ti....loucura está fora de questão, é?”
- “Claro: nada de suicídio, nem loucura....ah...e nada de Conventos ou Mosteiros também. Isso já o Garrett e outros fizeram.”
- “És chatinha, já te disseram? Bom, então deixa-me concentrar!”]
Por instantes a criada pensou insistir. Mas depois achou que a senhora estaria cansada da véspera e resolveu não a acordar. Deixá-la-ia descansar um pouco mais!
Matilde, entretanto, vestira-se, penteara os seus loiros cabelos e com os olhos plenos de lágrimas escreveu um pequeno bilhete que colocou devagar sobre a cama, já feita.
Olhou uma última vez o quarto, cada objecto...foi à varanda despedir-se das “suas” árvores, dos “seus” ninhos...
Ninguém a viu sair. Nada levava consigo senão aquele vestido castanho-escuro e um xaile preto que lhe cobria o louro dos cabelos. Os seus passos eram firmes e determinados. Em momento algum parou para olhar para trás.
Por volta do meio-dia era um reboliço lá no casarão! Francisco já perdia a compostura: onde se enfiara a criatura? Um desaforo assim...
A mamã achava tudo aquilo coisa de criança mal-comportada que merecia umas boas nalgadas.
Já a avó, mulher sábia, como o são todas as avós, achava que o caso era sério e, pela primeira vez desde há três anos, altura em que se celebrara o matrimónio entre Matilde e Francisco, dera-se conta do quão mal havia sido orientada aquela menina. Lá no fundo ela sentia que entendia a razão da fuga de Matilde.
O avô, de mãos atrás das costas, caminhava no escritório, esbaforido...pensando no escândalo...sim porque as pessoas agora iriam comentar! É a vergonha! É a desonra! É a infâmia!....a manchar o seu imaculado e venerado nome!
Súbito Francisco apareceu na sala. Trazia nas mãos um bilhete. Estava lívido!
“ Ao Senhor meu esposo Francisco:
Sou eu, Matilde, quem vos escreve. E escrevo por não ter coragem (nunca a tive, bem o sabeis) de vos dizer que não sou merecedora de continuar a usar vosso nome, a viver sob o tecto de sua casa. Sei agora que o meu lugar é num qualquer bordel...por isso já vedes que a minha ida desta casa não vos poupa à condenação pública, mas poupa-vos à desonra.
O nosso matrimónio foi um erro, ambos o sabemos. E é por respeito à memória de vossos antepassados que me ausento sem mais delonga.
Não quero o vosso perdão, senhor! Não vo-lo peço!...e vós, não queirais que eu...vos perdoe também, todo o mal que me fizestes.
Saio de vossas vidas voluntariamente. Não espero, nem quero que me procureis!
Matilde”
A ninguém Francisco revelou o conteúdo daquele bilhete.
- “Mamã, avó...minha esposa morreu! A partir de hoje não se pronunciará mais o nome dessa mulher aqui em casa. Jamais, entendeis todos?”
Mas notícias destas correm velozes...e quando Dário soube que Matilde tinha morrido quase enlouqueceu; Correu ao casarão...mas ninguém para o receber.
Os Senhores tinham partido para o Norte e não se sabia quando voltariam à Quinta Grande. – Resmungou uma criadita pela fresta da porta entreaberta.
Na aldeia uns diziam que tinham visto o caixão de Matilde numa caleche funerária...outros afiançavam que tinha sido sepultada nos terrenos da Quinta.
Mas Dário não sentia que Matilde estivesse morta! – “Não o consinto, ouves mulher? Não me podes morrer assim, agora que te abracei e te beijei e sei que te fiz feliz...não podes ter morrido, não...porque eu não quero que morras” – balbuciava Dário por entre soluços. Queria tê-la ali consigo para a amar, para a venerar...
Os meses passavam mas a dor permanecia cada vez mais viva. Dário quisera saber onde era a sepultura de Matilde mas a resposta de Francisco ainda o desesperara mais:
“... o corpo dessa senhora está espalhado um pouco por todo o lado!”
Esta resposta, assim, seca e fria despertou em Dário uma pontinha de esperança...ao mesmo tempo que o confundia! Uma resposta assim, de um marido que não denota dor, que não deixa transparecer sequer um lamento pela perda sofrida...
E Dário recomeçou a procura. Correu conventos, hospitais...nada! Nem nas vilas, nem nas grandes cidades. Quando estava na cidade pernoitava no hotel do costume: o serviço era muitíssimo bom e a discrição um factor a considerar.
Numa dessas noites as paredes do seu quarto incomodavam e tarde já, resolveu sair. Era uma noite quente de Verão. Pouca gente nas ruas. Candeeiros iluminavam os passeios dando um tom de vermelho-inferno à cidade. Os seus passos eram lentos e o seu caminhar não levava destino certo.
- “Carece de companhia, o cavalheiro?” – perguntava de uma ombreira uma vozinha “melada”, atrevidamente sedutora...
Dário nem respondeu, sequer se virou para olhar aquela figura esguia de cabelos loiros e olhos muito azuis.
E até apressou o passo mas...deteve-se fulminado! Aquela voz...havia algo naquela voz... – “ Não, devo ser eu que estou a endoidar. Não pode ser Matilde!”
Mas o certo é que os pés não obedeciam: parecia estarem presos ao chão.
Voltou atrás, a medo, quase constrangido.
- “ Ah, o cavalheiro pensou melhor e...”
Fez-se um silêncio cruel: ela enfezada e de olhos no chão!
Ele de olhos esbugalhados, atónito contemplava aquele ser. E Dário sentiu raiva, ódio, nojo dela...e ela sentira-o no seu olhar!
Ainda o silêncio atroz...daqueles silêncios que magoam mais do que bofetadas...
Assim estiveram algum tempo...medindo-se, desafiando-se, sofrendo!
- “ Matilde! Meu Deus...que razão? Pensámos que tivesse falecido.”
- “ Eu sei. Mas tinha de ser assim, Sr. Dário. Tinha de ser assim.
- “ Não tinha, Matilde! Eu a procurei por todo o lado. Eu a queria...e tanto!
- “ Diz bem, Sr. Dário....me “queria”. Ainda me pode ter. Por alguns trocados apenas...
Dário ainda levantou a mão...mas não ousou tocar-lhe!
- “ Fui eu quem lhe fez isto, não fui?
- “ Não, fui eu mesma quem fez isto a mim própria. O Sr. Dário fique tranquilo...não tem culpa de nada. Como poderia ter? – Mentiu Matilde.
- “Mas fui eu quem a beijou naquela noite e a desejei...”
- “Estava-me no sangue que assim fosse: agora outros homens me têm, outros homens...”
Não terminou. Estremeceu com o grito de Dário: - “Cale-se! Cale essa boca suja, mulher...essa boca que eu beijei e que era pura, então. Era meretriz o que queria ser? Pois passar bem! Conseguiu o que queria...ser meretriz...ao serviço de quem pagasse mais! Lamento profundamente, creia-me, ter durante estes meses chorado uma mulher digna de minhas lágrimas e que eu supunha morta.
- “ Chorou-me?...”
- “Sim, mulher desgraçada, chorei-a porque a amava, porque ...porque”... – a sua voz era, de novo, terna e meiga...para logo de seguida se exaltar.
- “Chorei-a por a julgar perdida para sempre. O que nunca julguei foi que andasse a meter homens no seu leito, a...a...dar-se a eles, a vender-se. Maldita seja!
- Pelo menos agora sabe a verdade...não terá de me chorar mais, nem de se preocupar comigo. Pode seguir sua vida, Sr. Dário: lamento que tenha causado todo esse transtorno ao senhor...Não imaginava....
- “ Transtorno? A Matilde chama-lhe transtorno? Bem vejo que não faz ideia do quanto sofri estes meses....do quanto sofro neste preciso momento por sabê-la assim, perdida...
- Olhe, Sr. Dário. Desculpe se não entendi. Terá razão, certamente terá. Mas eu nunca lhe pedi nada. E a vida que levo é a minha vida, a minha vida, percebe?
- “Não Matilde, a Matilde é que não percebe: a vida que leva não é a “sua vida”...é a minha vida. Sim, Matilde...a Matilde é a minha vida, entende agora? Entende a razão da minha raiva, da minha angústia? Eu não soube proteger a “minha vida”, não soube protegê-la, Matilde. Perdoe, perdoe tudo quanto eu disse e amaldiçoe-me se quiser: eu não tinha o direito...Mas...é que eu...eu amo-a!
- “ Ama? Olhe para mim, Dário! Olhe-me nos olhos e diga que me ama! Decerto quer fazer-me rir.
- “ Olho, sim...e vejo nesses olhos azuis a mesma mulher que eu beijei naquela varanda, e que me beijou com paixão...era fingimento? Não creio. Não se finge assim! Teve outros homens? Não importa...tudo isso faz parte de um passado que não é meu, dele não posso ter ciúmes. Quero-a como é, como está...quero-a agora. Quero-a Matilde para minha esposa, para minha mulher e lhe juro que será amada como nunca o foi nesta vida.
- “ Falais a sério...
- “ Não imaginais o quanto vos amo...
- “ Mas eu...eu sou... o que vedes em mim...eu não sou digna...sou mulher infame...
- “ Dir-me-eis apenas se quereis casar comigo, ser minha esposa...isso me basta.
- “ E basta-vos isso? Não me pedis o meu amor?
- “ Não, não peço vosso amor...sei que me amais também; não me pergunteis como sei...apenas sinto que me amais porque em vossa presença, querida, me sinto amado.
Sei que sou amado...presunção? Essas lágrimas...Matilde...chorais?
- “ É verdade que vos amo. E não pude suportar a ideia de ter traído o meu marido Francisco, me condenei a ser uma mulher do mundo...porque eu não devia ter-vos amado, não podia, não era lícito...”
- “Maldito eu...agora tudo faz sentido! Então sempre foi por minha causa...”
- “Não...eu é que devia ser uma mulher de recato e não fui. Estava só, quis ser amada...e amei-o a si, Dário: Um amor que então era pecado mas que hoje...se me quiserdes ainda...
- “ Se vos quero...vós sois a minha vida, já vo-lo disse! Quem, amando sua vida, como eu amo...abdica de um momento por mais curto que ele seja?
Venha meu amor, venha comigo agora. Amemo-nos num amor sem fim!
FIM
[ - Pronto, fiz como dizias: nem suicídio, nem Convento...
- Porra, fizeste da gaja uma p.....
- Olha lá a linguagem, menina! Mas que coisa!
- E queres-me dizer que não ficou a “saber” a novela de cordel? Irra...que foleirada! E o fim...o fim é escabroso. “...num amor sem fim” – endless love – influência dessa música pirosa que andas a ouvir, claro está!”
- “ Pronto...então se fosses tu como farias? Diz!”
- Olha...primeiro o tipo deixava de se chamar Dário e passava a chamar-se Alexandre!
Depois punha a Matilde a comunicar ao seu amorfo Francisco que estava fartinha de o aturar a ele mais à mamã, mais ao vovô...e o raio da famelga toda...e que iria sair de casa levando comigo aquilo a que tinha direito. Depois pedia uma carruagem e ia bater à porta do Dário, ou seja, do Alexandre...e punha o preto no branco: se quer, quer...se não quer há mais quem queira!...E pronto. Dava a coisa por terminada!”
- “ Não podia ser assim tão fácil....havia o escândalo...as convenções sociais....”
- “Maior escândalo do que meteres a gaja a ser puta...não estou a ver....”
- “ Olha...é impossível trocar impressões contigo, sabias? Fim de conversa!”
- “Amanhã dou-te “um toque” e vamos tomar café?”
- “ Talvez...logo se vê. Pira-te!”
- “ Tchau!”
...
- “De facto...a gaja tem razão! Isto está uma foleirada de meter nojo! Que texto pedante!
Centrei-me apenas na acção...descurei os ambientes, as personagens de uma maneira geral...Só espreitei o interior de Matilde...e foi no início...depois, quase esqueci Francisco...as suas razões, os porquês do seu comportamento para com a esposa Matilde! E claro , todo o texto ficou perfeitamente inverosímil....
O melhor é apagar tudo e já...antes que alguém tenha coragem de sequer começar a ler!]
quarta-feira, março 01, 2006
Provação...
(foto de BlueShell)
Matilde sempre soubera que aquele não era o seu lugar!
Uma aristocracia com que ela nunca se identificara, uma afectação nos gestos e nas poses...até dos criados...intimidavam-na! Faziam-na sentir-se muito pequenina, insignificante, mesmo!...- serei mesmo isso: insignificante! – Pensava muita vez!
E recolhia ao seu quarto para chorar, para lamentar ser mulher, para soltar a raiva e a tristeza que lhe ardiam no peito e na mente! Queria ser diferente! Raios...eu não posso continuar prisioneira de um título, de um nome! Mas era! Era e sabia-o! Só se dera conta disso no dia em que quisera ser “ela-mesma”, levar a sua voz, em melodias suaves, divinais ao sítio que tanto a comovia pela solidão que em si encerrava: o asilo de crianças abandonadas, que ficava a poucos km dali.
A ideia surgira, pura, numa manhã em que os roseirais da grande quinta anunciavam a chegada de um novo dia ! E, por entre as finas porcelanas partilhara com os presentes, sorrindo, essa sua ideia: - “Certamente ninguém se oporá. Um ou dois dias por semana posso cantar para as crianças. Pouco tempo, claro, para não interferir nas tarefas e rotinas...mas...sei que algo assim, diferente, elas vão gostar. Posso cantar música religiosa, também”...
O silêncio que se abateu por sobre a mesa, chícaras, bules, arranjos de flores...fê-la calar e, apreensiva, olhou cada um dos rostos que, de olhos esbugalhados a esmagavam...com olhares de inequívoca reprovação!
Não mais se falara do assunto! Morrera ali...naquela mesa coberta com uma belíssima toalha de linho, trabalhada e com ricas porcelanas em cima!
Matilde recorda ainda tom escarninho e cortante das palavras de seu esposo, Francisco: - Não seja vulgar, senhora!
...E durante várias semanas, como que para a castigar, a porta da câmara que separava seus dois quartos não se abriu!...
(continua)
sábado, fevereiro 25, 2006
Belas...elas!
(foto de BlueShell)
Cresci no meio dos montes e das árvores...
Das gentes simples e sãs...
Dos prados verdes, da terra molhada...
Cresci e aprendi a amar a singeleza das pequenas coisas,
Tão pequenas que se tornam imensas
E me fazem querer ser assim...
Simples como elas...
E sempre tão belas!
(foto de BlueShell)
terça-feira, fevereiro 21, 2006
CONTIGO, APENAS!
(foto de BlueShell)
Se um dia te cruzares comigo...
Saberás, pelo meu olhar
que te nunca menti
Nem fui mais que
uma vontade, um querer...
um pôr-do-sol, um amanhecer
um desabrochar em cor
de mar...
Nem quis
Senão algumas gotas
de água para ser feliz...
Se um dia te cruzares comigo...
Saberás que só quis, um dia,
Viver e morrer contigo!
sábado, fevereiro 18, 2006
NEGROS
(foto de BlueShell)
Não são negros os teus olhos, amor...
Mas que importa?
Se têm sabor a sol e a mel
Se me olham com ternura e cor...
Não precisam de ser olhos negros, os teus, amor!
quinta-feira, fevereiro 16, 2006
Era um cão fiel e simpático...
( foto algures da net)Nada persiste...tudo é efémero...
Nos enganamos ao tentar ignorá-la...
Todavia "ela" nos acompanha a cada passo...
...sim, era um cão fiel e simpático. Não era guloso...comia de tudo um pouco. Nos seus 18 anos de vida soube sempre saudar seus donos. Adorava que lhe fizessem festas no lombo: gordito e baixote...era assim o "manjerico".
Mas há uma semana que andava adoentado e hoje de manhã...lá estava. Jazia em descanso o fiel animal.
Tinha dado tudo - fidelidade, amor, amizade, ternura...e alguns bons momentos de riso aos que o acompanharam e o viram crescer. Hoje, já cansado, deu a vida também...
E em nós ficou esse vazio...
Foste um bom cão, manjerico!
domingo, fevereiro 12, 2006
Tem de ser Mágica!
(foto de BlueShell)
Procuro, em desespero uma poção
Que te prenda a mim...para sempre...Mas “sempre” é tempo demais...
E não encontro a poção que enfeitice, de amor por mim, tua alma e coração!
Toca-me! Experimenta meu sabor!
Vem...
Por que me foges assim?
Se ao menos me tocasses...
Procuro, em desespero, essa poção...
sexta-feira, fevereiro 10, 2006
Preciso tanto...
(foto de BlueShell)
Hoje ...preciso de um miminho, de um carinho, de um beijinho...
e outras coisas “fofas”terminadas em – inho....
Hoje... preciso de palavras doce-mel, de abraços quentes...
Hoje...preciso de ouvir melodias suaves, canto de aves...
Hoje...preciso, sim de tudo quanto possa, enfim,
Fazer desaparecer esta minha dor de dentes!!!
quinta-feira, fevereiro 09, 2006
Aí vai!
a pedido da «http://abracadabra.weblog.com.pt/»:Pilantra
As regras do jogo
"Cada bloguista participante tem de enumerar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Além disso, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue."
As minhas cinco manias:
- Falar sozinha
- não me deslocar para lugar nenhum sem telemóvel
- fumar e tomar café nem que tenha de andar KM
- fazer amor em qualquer lugar, a qualquer hora...quando apetecer!
- andar descalça na erva molhada.
Passagem de testemunho:
123de4
Dias Atlânticos
Apenso
O_Observatório
Chuva Negra
terça-feira, fevereiro 07, 2006
Hummmmm....brincadeirinha boa!!!
(foto de BlueShell)
Deixa-me brincar com teu cabelo...
Hummmm...tão suave, tão leve, tão cheiroso...
Deixa meus dedos sentirem tua pele...
Deixa...hummmmm...
Fecha os olhos, isso....assim...
Sentes?...
São meus lábios quentes...
Hummmmmmmm...ouves?...
É meu coração que bate por ti.......Hummmmm..
...meu tremer, teu gemer...
Sabes que te amo...........
domingo, fevereiro 05, 2006
Esse amor...
(foto de BlueShell)
Quero-te tanto e
No entanto, é tão pouco o que te dou....o que nos damos!
(foto de BlueShell)
Quero-te tanto e me espanto com o meu querer desenfreado...
Um querer assim...é Destino, é Fado
É fazer mais do que os deuses deixam
E querer mais do que os anjos esperam...
É assim que te quero, amor...
Um querer tão imenso, tão profundo e intenso
Que da razão me tira...
Já só
Sinto...
Não
Penso!
sexta-feira, fevereiro 03, 2006
Na altura eram chibas!
(foto de BlueShell)
Isto são algumas ovelhas.
Hoje passo por elas de carro e quase sempre me lembro das cabras que os meus pais tinham.
Nessa altura era eu que, a maior parte dos dias, tinha de cuidar delas. Cinco “chibas” mais o “chirito”. Não parece muito, pois não?...pois!!!
Mas deram-me muita dor de cabeça e preocupação!
Recordo quando tinha de as ordenhar: ou vertiam, metendo as patas lá, o conteúdo do pote onde já estava mais de litro de leite ou, se eu não tivesse cuidado...começavam a fazer côcô lá para dentro!
Depois era preciso dar umas palmadinhas no “amojo” senão elas prendiam o leite: ainda dava mais meio litro seguramente...
(foto de BlueShell)
Hoje deu-me para pensar em chibas...
Estranho...
domingo, janeiro 29, 2006
AI, o raio!!!!...ou o DIA EM QUE FIZ patinagem POUCO artística!!!
(foto fanada à net)
Pois foi:
ontem, depois de ter limpo à mangueirada o CÔCÔ dos cães...esqueci-me de que, com o frio que estava, aquela bodega iria, certamente, gelar!...e zázzz! Quando daí a alguns minutos lá passo...NEM ME LEMBRO DE TER POSTO OS PÉS NO CHÃO! SÓ ME LEMBRO DE ESTAR JÁ NO CHÃO - ESTATELADA AO COMPRIDO E COM O FRED A LAMBER-ME TODINHA!
Pior: nesse entretempo já os cães tinha ido fazer novo côcô no mesmo sítio!
Sim...eu estava de barriga para baixo com o meu nariz a milímetros de uma "poia" fedorenta e que FUMEGAVA!
HOJE...estou toda dorida e com o esterno, de novo, fissurado!
Se vi estrelas???
Vi estrelas, cometas, ovnis...e o focinho do Fred pareceu-me, assim de súbito, a cara de um político nosso cujo nome aqui não digo!!!
quinta-feira, janeiro 26, 2006
Vista parcial de minha aldeia ou "a dois passos do paraíso"!
(foto de BlueShell)
Esta é minha aldeia...à qual pertenço...que amo e que me tranporta à infância.
Mas aqui também se sofre, se chora, se trabalha, se nasce e se morre!
Aqui respiro e me encho de vigor!
Aqui sou mais autêntica, sou mais "eu", porque estou mais perto do céu!
terça-feira, janeiro 24, 2006
Há um ano..apenas...
(foto de BlueShell)
Faz hoje um ano que meu pai partiu deste mundo...
Pai...sei que me podes ouvir
E que sabes que cada dia
Foi dia de pensar em ti, de te sonhar
De novo aqui.
Sabes...porque vês
As lágrimas vertidas e o Tempo que
Nada faz para mitigar a dor,
Acentua a saudade, eleva o amor.
Pai...pudesse estar eu contigo
Uma vez mais que fosse
Para te abraçar, bem forte
E te lembrar que és ainda minha força
E que eu sou
Tua menina, pequenina,
Travessa, Maria-rapaz...
Porém como tu me ensinaste
Sei que serei sempre capaz de vencer
Obstáculos, derrubar muros, cansaços...
Suportar desilusão e dor.
E, sobretudo, serei capaz de amar
Incondicionalmente...sem preconceitos:
Amar todos sem distinção de raça ou cor.
Fica em Paz, pai...
Mas deixa minhas lágrimas correr...
Elas ainda me servem de algum conforto,
Querido pai, meu rochedo, meu abrigo, meu porto!
Fica em Paz...
sábado, janeiro 21, 2006
FOSTE TUDO ISSO...UM DIA!
(foto de BlueShell)
- O que foste para mim?
Foste sol-nascente, chuva, vento e esse mar imenso
Que me faz sorrir quando penso em ti.
Foste meu apoio, meu porto de abrigo
Minha fonte de água fresca que refresca
A sede dos anjos...
Foste meu sonhar de mulher feita menina
E quase sem querer voltei a ser
Pequenina e a crer
No sonho como quem crê na divindade!
Foste meu amparo, minha estrada,
Meu Ver o horizonte,
Meu servo, companheiro,
Foste a ponte que me transportou
Do Nada à felicidade.
quarta-feira, janeiro 18, 2006
...Apresento-vos...
(foto de BlueShell)
Este é o Fred!
Foi-nos dado em Setembro, muito enfezado,cheio de pulgas, carraças e feridas...
Tinha medo de tudo e de todos...uma coisa triste de se ver!
(foto de BlueShell)
Mas depois de uns banhos e de uma alimentação cuidada: aí está o Fred - rafeiro puro mas amoroso! Um tanto louco (como eu), sem dúvida: salta nas 4 patas, não sabe fazer xixi de pata levantada. Corre e salta-me para cima quando menos espero quase me fazendo tombar!...e faz tanto cócó...Irra!
O meu Bonni é que não gostou da "concorrência e fica"amudo", de focinho torcido cheinho de ciúmes!Já tem 4 anitos, este! E não quer dividir o "seu território com um "garoto" que só tem "corpo" " - [ psicologia canina]
Coisas de cães!!!
(foto de BlueShell)
Ah...eu?
Eu 'tou doentinha...de cama, sozinha com o meu vírus: GRIPE!!!
sábado, janeiro 14, 2006
TRISTE?...quem, eu???
(foto de BlueShell)
Não estou triste!
Apenas invadida por uma sensação de abandono; colocada de parte; arrumada na estante, qual livro que se desfolhou [por entre os risos desatentos de mãos frias] sem nunca ser lido!
É assim que estou.
Mas não estou triste. Eu não sou triste!
Apenas lamento que nem o Tempo já me importe como outrora...
Mas não estou triste!!!
Morri...nesta estante: aí repouso agora!
sexta-feira, janeiro 13, 2006
sábado, janeiro 07, 2006
TU EM MIM!
(foto de BlueShell)
Em teus braços, me aconchego e, segura...sem medos, subo aos céus...
De teus lábios puros recebo os beijos que, bem sei, serão só meus...
E meu corpo, ânsia de amor, te recebe
Despertando e se abrindo em Luz e cor!
terça-feira, janeiro 03, 2006
Have I told you lately that I love you
www.OldieLyrics.com
(Van Morrison)
Have I told you lately that I love you
Have I told you there's no one else above you
Fill my heart with gladness
take away all my sadness
ease my troubles that's what you do
For the morning sun in all it's glory
greets the day with hope and comfort too
You fill my life with laughter
and somehow you make it better
ease my troubles that's what you do
There's a love that's divine
and it's yours and it's mine like the sun
And at the end of the day
we should give thanks and pray
to the one, to the one
Have I told you lately that I love you
Have I told you there's no one else above you
Fill my heart with gladness
take away all my sadness
ease my troubles that's what you do
There's a love that's divine
and it's yours and it's mine like the sun
And at the end of the day
we should give thanks and pray
to the one, to the one
And have I told you lately that I love you
Have I told you there's no one else above you
You fill my heart with gladness
take away my sadness
ease my troubles that's what you do
Take away all my sadness
fill my life with gladness
ease my troubles that's what you do
Take away all my sadness
fill my life with gladness
ease my troubles that's what you do!
Esta canção diz-me muito...por isso tomei a liberdade de colocar aqui a letra.
É que...por vezes...esquecemos de dizer a quem amamos...o que realmente sentimos. Temos quê? Medo de nos tornarmos vulneráveis? temos receio de nos tornarmos ridículos?...ou serão as palavras que não acompanham o "sentir"?
É tão fácil:
- "AMO-TE"
MINHA CASA!
(foto de BlueShell)
Este chão que piso é a certeza de eu estar em casa.
E o saber-me plena de Natureza me conduz ao encontro da felicidade, todos os dias...enquanto houver luz em meus olhos.
sábado, dezembro 31, 2005
PORQUE...
Porque Deus quer, o homem sonha, a obra nasce...
...quero sonhar
com um ano melhor
e desejar
a quem me lê
um 2006 pleno de sonhos excêntricos, fantásticos, maravilhosos...
UM BEIJO
BLUE SHELL
quinta-feira, dezembro 29, 2005
Pssssst...
(foto de BlueShell)
Quero voltar a ser criança!
Exijo que me levem de volta à infância!
Eu não pedi nada: estava bem assim...como estava: no meio do Tempo, das pedras que contam histórias e dos cedros que ensinam lições de vida!
Alguém aí me leva de volta à infância, por favor???
sábado, dezembro 24, 2005
Um Natal...diferente...
(foto de BlueShell)
Este NATAL será diferente!
Aconchegado p’ra quem tem sorte...
Mas triste de meter dó para tanta gente.
Gente como nós...gente que sente,
Gente que ri, chora e faz amor...gente
Que teme e geme de dor ou de prazer...
Gente que dá de si antes de pensar em si!
Gente que é feliz ...assim, só porque o é!
Gente que não pode acreditar de novo...que
A desilusão faz doer, oh se faz...
Mas temos de lutar, hoje e sempre
Para que Todos possam voltar a Acreditar...
E lutar, sempre, para que no Mundo haja mais Amor e Paz...
Meu pai não estará connosco este Natal...
Será, pois, um Natal diferente!
Mas eu creio, porque sei que ele está bem aqui, junto a meu seio.
FELIZ NATAL PARA VÓS, MEUS AMIGOS
BLUESHELL
quinta-feira, dezembro 22, 2005
QUERER...não basta!
(foto de BlueShell)
O Querer dizer...
O Querer fazer de cada dia um dia de
Dizer:
Feliz Natal...
O Saber que cada dia
Pode trazer alegria
Mas desespero e dor também...
O Não Poder fazer de cada instante
Um momento especial...
É o ficar aquém...sem sonhos,
Ou com os sonhos sonhados,
Momentos alados...
Que não voltam mais...
sexta-feira, dezembro 16, 2005
Anjo Negro
(foto de BlueShell)
Por vezes, na escuridão dos dias que passam sei que sou só eu e ninguém mais..
E aquela menina-mulher, outrora soube o que era Ser.
No Hoje tudo se dilui em lembranças que não perduram, não resistem à inexorabilidade do Tempo...
O Hoje...em que te não tenho, amor, me faz querer tocar as vestes desse Anjo e partir...
segunda-feira, dezembro 12, 2005
Mais e mais...
(foto de BlueShell)
Estupidez a minha:querer mais...
Sempre quis mais, sempre pensei que era possível ter mais, ser mais...fazer "a" diferença!...
...e já perdi tanto...por desejar ter mais...
Sou menos que um pouco de Nada...nasci no mundo Antes do Nunca....
sábado, dezembro 03, 2005
Sim, hoje...
(foto de BlueShell)
Hoje...apetecia-me um pouco de sol...uma mão-cheia de Primavera...
Hoje...apetecia-me tocar teu corpo...ao de leve, suavemente...
Hoje...apetecia-me saber teu sabor...sôfrega, sofregamente!
Mas não...
Nem Primavera, nem teu corpo em mim...
Apenas escuridão e a certeza de estar só...mais uma vez...
segunda-feira, novembro 28, 2005
Afinal...
(foto de BlueShell)
Subi alto para Te ver...
...afinal, estavas aqui e eu não o soube nunca!
quinta-feira, novembro 24, 2005
Raiva e lamento...
São feitos de granito todos os músculos do meu corpo. O coração…sim, esse também!
Oh! Se este chão que piso não fossem areias movediças…
Oh! Se eu não tivesse amado nunca…
Devia ser proibido amar!!!
Morro por um beijo...
(foto de BlueShell)
Vem, amor, vem agora que te espero, que te quero...Vem que meu corpo queima de desejo, morre por um beijo...
Vem, amor, não tardes...não aguardes o pôr-do-sol...que antecede a aurora!
Bebe de meu ser a seiva da vida...delíciar-te-ás em mim e em mim permanecerás... muito para lá do Tempo!
Vem, amor meu...
Querido...vem, vem agora!
domingo, novembro 20, 2005
SER CAPAZ!
(foto de BlueShell)
Ser capaz...
De caminhar sobre ruínas, de olhar o horizonte....negro, de um negro que dói!
Ser capaz...de perdoar e quebrar os grilhões do ódio...
Ser capaz de crer que há sempre um Anjo que nos indica o caminho a seguir...e não vacilar, nunca!
Ser capaz de esquecer minhas dores e abrir um sorriso em flor como quem acaba de fazer amor...apenas porque há Alguém que precisa, mais do que eu, de um pouco de calor...
Ser capaz de ultrapassar os medos...todos eles...
É estar-se mais perto de Deus!
É estar-se cada vez mais preparado para entrar no Reino dos Céus!
quinta-feira, novembro 17, 2005
Imagens
(foto de BlueShell)
Apagam-se as luzes...
Imagens sem conta passeiam-se em minha mente...
Imagens que se sobrepõem, ralham, disputam um primeiro plano...
Não durmo: deixo as imagens à solta...
Por vezes...um sorriso...como agora: o Fred [tão tolo aquele cão rafeiro de 5 meses] resolveu saltar nas quatro patas! Parecia que tinha molas! E lambeu-me as mãos...
Eu gosto do Fred...e isso faz-me sorrir!
Apagam-se as luzes...
domingo, novembro 13, 2005
Assim é...
(foto de BlueShell)
Todos, em momentos vários de nossas vidas precisamos de um abraço, de um carinho, de um sorriso...
A vida tem os seus espinhos mas deles podem surgir belíssimas flores...
Hoje, manhã cedo...algum desalento..
E palavras, [estas,] me surgiam e insistiam em se fazer ouvir pom mim adentro:
(foto de BlueShell)
Sorvo o ar...
Sensação de estar viva.
Viva!
Estar!
Ser golfadas de ar.
Ser água revolta
em leito que me devolverá ao mar!
Aí fecundar,
Ser feliz...no mar!
Sorvo ar...
(devaneio de uma concha que, por ser azul...é estranha, sem dúvida!)
sábado, novembro 05, 2005
Poema sem dono...mas com destinatário!
(foto de BlueShell)
Dedicado a todos quantos me visitam e comentam:
Em palavras...sinto vosso abraço,
Sinto que não estou só
No que faço!
Sinto-me assim, mais segura
De mim, por vos ter...
E o não vos ver...não importa
Porque vos sinto bem perto
E retenho vossa presença
Em meu ver o despertar de cada dia
E o abraçar a realidade, que dói
Mas se constrói com pedaços de mil abraços
E outros tantos braços
Que vejo em palavras escritas
Como quem colhe estrelas...para mim.
Na minha humildade sei a minha pequenez...
Mas como a terra é grata à chuva
E ao sol...
Eu agradeço a cada um de vós...
Cada gota de água, cada raio de luz.
terça-feira, novembro 01, 2005
Momentos felizes!
(foto de BlueShell)
Hoje a minha escrita...não é a minha escrita!
...é o meu pensar...
...é o saber que não há felicidade, não há senão momentos felizes que devem ser vividos no seu todo!
Hoje acho que perdi a minha inocência...aquele meu lado de criança que me tem acompanhado desde sempre: ontem fui ao hipermercado e dei por mim a brincar com um leão de “pelúcia” [nunca tinha tido nenhum em toda a minha vida]...ri de satisfação e ri de mim própria pela “figura que estava a fazer em público”!...e naquele instante fui feliz, fui eu mesma...livre, inocente...
Mas olho à minha volta e vejo...olhares tristes, sinto em eco a voz do médico [não me lembro da cara dele, apenas da bata branca que vestia!]...tão longínqua e tão perto que chega a fazer doer.
A casa, minha prisioneira, está triste e em silêncio! Eu vagueio pelos compartimentos e sei que não há felicidade. Há momentos felizes [poucos ] que devem ser vividos enquanto é Tempo e o Tempo deixar!
(Temporariamente, apenas, mudei a música! Esta foi muito importante numa fase difícil de minha vida...por isso a coloco aqui, de novo.)
sexta-feira, outubro 28, 2005
AO MEU PAI...
(foto de BlueShell)
As minhas dores, o meu sofrer, esta febre que queima e teima não deixar de fazer meu corpo tremer... este corpo disperso em pedaços de ti...este corpo que procuro e não tenho de meu porque o teu se ausentou...
Sangue escorrendo saudade, lágrimas que gritam teu nome escrito nos céus porque Deus te chamou e tu...servo fiel, partiste ao seu encontro...
Pedaços de mim...dispersos...
Pedaços de mim...fragmentos do que fui...Um todo que era um quase tudo inteiro ...e que perdi numa manhã de Janeiro...
segunda-feira, outubro 24, 2005
Pela Valéria...
Pela Valéria:
Pai Nosso que estais no Céu
santificado seja o Vosso nome
venha a nós o Vosso reino
seja feita a Vossa vontade
assim na terra como nos céus
o pão nosso de cada dia nos dai hoje;
perdoai-nos as nossas ofensas
assim como nós perdoamos
a quem nos tem ofendido
e não nos deixeis cair na tentação
mas livrai-nos do mal
amén
sábado, outubro 22, 2005
Apetitoso, não?
Fruta fresca, ao natural...
Dádiva divinal...
(foto de BlueShell)
(foto de BlueShell)
(foto de BlueShell)
E se alguém vir na disposição dos frutos
Mais do que o que é suposto ver...
Sabei que também a natureza
Tem direito a algum... Prazer!
domingo, outubro 16, 2005
Lugar-comum!
(foto de BlueShell)
Incendeias-me o olhar
Ao olhares p’ra mim, assim!
E arde o fogo do desejo
Descontroladamente em mim...
quinta-feira, outubro 13, 2005
EM PAZ!
(foto de BlueShell)
Estou em paz com a Natureza! Ela é leal. Não trai.
Transborda Amor...
O mundo do homens me fere...
Corrupto, ignóbil...podre!
A paz me envolve e a chuva, tão pura, faz amor nos meus cabelos.
...e sinto que toda a Luz foi feita para alumiar meus dias!
segunda-feira, outubro 10, 2005
QUEDA!
(foto de BlueShell)
As pétalas caem, uma a uma...
O sonho se perde por não ter existido. É na solidão que me encontro comigo mesma, me conheço, me descubro...
E as pétalas caem, uma após outra...
Nua, na minha pequenez vejo hoje quão vã era minha esperança de mudar o mundo...
E as pétalas caíram, de vez!
domingo, outubro 09, 2005
ASSOMBRAÇÃO!!!
O PS perdeu, a minha equipa perdeu, os Mangualdenses perderam.
Ganhou o totalitarismo, o compadrio, a maledicência...
O povo é soberano: escolheu em consciência!
Recusou um projecto exequível, com todo o potencial para trazer , de novo , Mangualde para a “linha da frente” em termos de progresso e melhoria de condições de vida! Escolheu...a estagnação, o marasmo, o aumento da dívida da autarquia...
Escolheu ser “cauda e não cabeça”...
É a vontade do Povo. Foi essa a sua decisão!
Parabéns Sr. Dr. Soares Marques...uma boa gestão, de 4 anos, espero! Não “abandone o barco” agora! Não nos condene e ter como Presidente da Câmara o Ex.mo Sr. Vereador António Silva... (sim, esse mesmo - o que no comício final, de 6ª feira disse o que bem lhe apeteceu, misturando a crítica política com assuntos de carácter pessoal...)
E olhe, siga o meu conselho: quando for à missa esteja com mais atenção ao que lá se diz, ou então, consulte a Bíblia. Recomendo que se confesse o mais rapidamente possível...o Sr sabe...há pecados...e “pecados”...se bem me entende....[ eu sei que sim, e o Sr. Também!!!]
terça-feira, outubro 04, 2005
TERRA!
(foto de BlueShell)
O trabalho, o suor...a terra seca de um céu sem lágrimas...que essas...são minhas apenas!
segunda-feira, outubro 03, 2005
EU EXPLICO:
Nasci em Mangualde, aqui cresci e aqui aprendi com as pessoas o valor do trabalho. Aprendi a ser menina, a ser mulher.
Muito do que sou o devo a esta gente humilde do povo. Povo que eu amo e respeito.
E é em nome desse amor e desse respeito que eu não pude ficar impassível perante uma gestão autárquica que não serve os interesses das "minhas gentes".
Assim...estou na equipa do Dr. João Azevedo, candidato à Câmara Municipal de Mangualde, pelo PS.
Têm sido dias muito duros de campanha eleitoral.
Mas esta equipa tem vontade de trabalhar, é uma equipa responsável e plena de profissionalismo.
Por isso estou aqui,a "dar a cara", em 4º lugar para a lista da Câmara!
Porque acredito que o concelho merece mais e melhor; porque entendo que devo isso à terra que me viu nascer e crescer.
E não é demagogia...é o que , realmente, sinto!
Lamentavelmente...os ataques pessoais já hoje começaram. À falta de argumentos válidos...recorre-se à crítica fácil.
Estou triste...não é assim que eu entendo a política!
Desculpai o desabafo....mas eu tinha de explicar a minha ausência.
Mas vou andar por aqui...desabafando...
Recomendo: www.mocho.weblog.com.pt
http://www.joaoazevedo.com/ [Ah...eu estou ali...de vestido preto, no outdoor...ehheeheh]
Obrigada a todos.
BlueShell