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quarta-feira, março 20, 2013

MISSÃO



Num mundo de , cada vez mais, incertezas...
Num momento de deixar correr livres, as lágrimas...
Num tempo em que não se tem Tempo para nada...
num Tempo em que nos querem roubar a voz, 
a dignidade...
Num Tempo em a nossa Fé é perseguida com se devessemos dela nos envergonhar...
Num Tempo sem escolhas, só imposições...O querer ser livre é uma afronta...
E os pobres, sem mais do que sua revolta...a arrecadam pois que o medo é Rei e Senhor!
E calam, e sofrem e fazem seu luto pelos vivos deste tempo....

Eu sou das árvores os tronco que resiste às tempestades
pela força que me vem do Alto Céu.
Pela certeza de não estar só...
pela certeza de ter esta missão:
Não permitir que a voz dos pobres se dilua no Tempo,
Nem que grilhões ou mordaças  ressuscitem o Passado...

(Texto de BlueShell)



sábado, janeiro 26, 2013

Julguei...(conclusão)



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(Foto e texto de BlueShell)- PORTUGAL
Agora, quase 30 anos depois ali estava eu, mais uma vez, à frente daqueles jovens.
A inocência …uma inocência que acolhe alguma traquinice, alguma irreverência e indisciplina  e que é preciso “dominar “… estava ali, como estivera quase sempre nos últimos anos.
Nunca quis ter, nas minhas aulas, os alunos aprumados como se de soldados se tratassem. Mas sempre lhes exigi respeito. Respeito por eles mesmos, respeito uns pelos outros, pelos pais que, lá fora, trabalhavam de modo a que eles pudessem ter o privilégio de frequentar a escola, e respeito por mim. E, dentro desse espírito, havia espaço para uma aprendizagem sem necessidade de grilhões, de coação ou constrangimento.  Mais: para além dos conteúdos indicados pelos programas havia sempre espaço para uma outra aprendizagem: valores como a humildade ,a honestidade, a misericórdia, a dignidade e outros, muitos… mas sempre sem impor as minhas convicções político-religiosas. E ralhei…ao mesmo tempo que dei afeto. Pois o que é o afeto se não houver reprimenda quando se erra? Quando se procede mal? Então há que repreender porque isso significa que nos importamos com eles, com esses jovens. E eles sentem isso. Sentem, numa repreensão o mesmo afeto que sentem num elogio. Não de imediato, obviamente, mas mais tarde, senti-lo-ão.
Sim, penso que fiz um bom trabalho ao longo desses anos.

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(Foto e texto de BlueShell)- PORTUGAL
Mas hoje ao olhar aqueles jovens sinto que pouco lhes posso dar.
Há tanto cansaço, tanta desilusão….tantas horas na escola que em vez de serem para os alunos são para os burocratas…para gáudio dos que “vivem” em gabinetes “forrados  a papéis”!, com “cortinas feitas de papéis”…e por isso não veem para lá delas…não veem a realidade para lá das opacas janelas desses bafientos gabinetes!!!
Cansada de ter de concordar à força de ter de concordar… com um sistema que nada traz de profícuo a alunos…muito menos aos do interior…sempre ostracizados e esquecidos…como há 40 anos atrás!!!
Olho para eles e vejo, nos olhos de cada um deles, a pequena que fui…uma pequena guerreira que se aventurava de noite pela estrada de macadame para apanhar a carreira e poder ir às aulas. Uma pequena que se fez mulher e concretizou o sonho de ser professora. Uma professora que sempre cumpriu com os seus deveres, que sempre foi fiel aos seus princípios e, sobretudo, aos seus alunos. Uma professora que muito raramente dava uma falta. Apenas por doença ou nojo! Uma professora que dava mais tempo à escola do que à família. Que se obrigava a abdicar de tanta coisa em prol da escola que amava….
Lembrei-me agora…Uma dia, ou melhor, uma noite ia eu dar aulas a um curso de alunos adultos, coloquei mal o pé no degrau pois o patamar estava com as luzes desligadas e eu caí pelas escadas abaixo só parando no “cotovelo” da escadaria. Umas funcionárias que andavam a fazer a limpeza ouviram meus gritos e deram comigo toda enrodilhada e a gemer. Fui para o hospital e já não dei aulas essa noite. Mas ao outro dia lá estava eu: pois se não tinha nada partido nem deslocado…as equimoses não eram na língua e, mesmo sendo em quase todo o corpo,  não me impediriam de dar aulas…
Tinha os olhos daqueles jovens cravados em mim…queriam saber quem eu era, como eu era…que teria para lhes ensinar…e eu ali, diante deles com uma imensa vontade de desistir deles. Eu ali diante deles com um imenso cansaço, com um desalento tamanho…que chegava a doer….que ardia na garganta e me pesava no peito. Súbito…deixei de lhes ver os rostos e na minha mente surgiram duas imagens: as dos diretores das escolas e a do meu pai no caixão, no dia em que foi sepultado. Porquê essas duas imagens assim? Porquê? Então era por isso que não via o rosto de meus  alunos: meus olhos estavam plenos de lágrimas…e eu não queria que elas  transbordassem…não queria , meu Deus, não queria que me vissem chorar… não ali…, por favor, não ali….
Virei-me de costas e escrevi meu nome no quadro enquanto, disfarçadamente, secava as lágrimas.
Depois, com um ar autoritário, disse:
- Meu nome é Isabel M. e serei vossa professora.
Mas mentalmente pensei…. devia dizer-lhes era-“ Julguei que era meu dever ensinar…afinal querem que eu preencha papéis….e papéis...e papéis…”
Só que já tinha tomado uma decisão: não iria desistir deles: contra tudo e contra todos, sujeitando-me a todas a penalizações…o meu dever, a minha lealdade era, é e será para com os meus alunos: lutarei por eles mesmo que eles não o saibam nunca…

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Serei guerreira novamente e vencerei porque lutarei pelo que é justo…e porque sei… que tenho comigo…todos os trunfos!


Salmos 118:6
O SENHOR está comigo; não temerei o que me pode fazer o homem.
The LORD is with me; I will not be afraid. What can man do to me?

terça-feira, outubro 30, 2012

O Outro Lado!

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(Foto e poema de BlueShell) -, Caramulo Portugal
São de granito as palavras que arremessas… e beijas, sem pressas, cada sílaba…cada som. Na minha pequenez cada palavra eu arrecado e com ela construo a escada que me levará, ainda que sangrando, para o outro lado!
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(Foto e poema de BlueShell) -, Caramulo Portugal

sexta-feira, setembro 23, 2011

Sinto demais…

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(Foto de BlueShell)


O Tempo faz e desfaz…
O Tempo leva e não traz!

E eu sinto que sinto demais…
Emaranhado de sentires pintados
em telas comidas pelos dias que ruíram
sob o peso do ser…
Sou teia frágil que prende a saudade
Com a força do muito querer!

sábado, abril 30, 2011

Foi uma flor...

 
(Foto de BlueShell)



…e o tempo de florir passou…

Passou como brisa leve…

Passou também o rio…

Passou o suspiro breve…

E a lágrima que pousou no chão.

Estuário de mim…

Passou o querer e o ter…

Passou o saber e a razão…

…e o tempo de florir passou…

O Sol se encobre…a flor se esconde e morre!

sábado, janeiro 29, 2011

Assédio..tantas vezes...quantas deixarmos!

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(foto de BlueShell)

Por ser um assunto que a todos pode vir a "tocar" deixo este texto como motivo de reflexão.
Não precisa comentar, se não quiser.Basta que medite, que reflita, por instantes e denuncie práticas do género, se estiver a ser vítima delas.

Com um beijo de BlueShell


"A situação de assédio integra-se no assédio moral, proibido pelo artº 24º do Código do Trabalho, constituindo contra-ordenação muito grave a sua prática.


O "mobbing" ou assédio moral é percebido, quase unanimemente, como "uma prática insana de perseguição", metodicamente organizada, temporalmente prolongada, dirigida normalmente contra um só trabalhador que, por consequência, se vê remetido a uma situação indefesa e desesperada, violentado e frequentemente constrangido a abandonar o seu emprego, seja por iniciativa própria ou não. consoante a sua intensidade, patologias mais ou menos graves, de índole psíquica, psicossomática e social que podem ir da simples quebra de rendimento profissional ao suicídio, passando pela perda de auto-estima, pelo desenvolvimento de "stress" pós-traumático, síndromes depressivas, dependências de fármacos ou álcool, etc.


A caracterização destas perseguições atém-se mais ao seu aspecto sucessivo e persistente do que aos actos em que se traduzem. Com efeito, a agressão — quase sempre insidiosa e muitas vezes dissimulada — não é tanto o resultado de qualquer acção isoladamente considerada, quanto da sua concatenação, com o objectivo de provocar, geralmente, o afastamento definitivo do trabalhador.

"As estratégias são múltiplas, sendo recorrente o isolamento, as transferências vexatórias, a desocupação, o empobrecimento funcional das tarefas, a distribuição de trabalhos inúteis ou não condizentes com a categoria profissional, a desautorização, as permanentes invectivas ou a constante humilhação que em muitos casos acaba por converter o trabalhador num pária da colectividade" ( Maria Regina Gomes Redinha, "Assédio Moral ou Mobbing no Trabalho").


O assédio constitui uma forma de assassinato, lento, terrível e cobarde. Assassinato, pois resulta no aniquilamento físico e psíquico do trabalhador; lento, pois processa-se durante um período de tempo considerável; terrível pelas consequências; e cobarde porque incide sobre o elo mais fraco.


Por Edgar Valles

domingo, janeiro 16, 2011

Aridez

(foto de BlueShell)
Vejo para lá do escuro
E sinto que há vida ainda…
Numa nesga de esperança
Que se adivinha; linda
a estrela que aquece a estrada…

Chão que não piso… piso incerto!
Céu que não vejo…via!
Cruza comigo esse deserto!
Sê a mão que me guia
E que eu, desperta, aperto!

domingo, dezembro 05, 2010

Pedido

(Foto de BlueShell)



Num emaranhado de emoções sublimo a Tua Obra.
Deixa que meus olhos repousem na Paz da Natureza
E meus sentidos calem meu pensar tão flagelado.

domingo, outubro 17, 2010

Olhar

...deixei para trás o meu olhar...
não mais quis ver.
...deixei também o meu querer...
se tu não "és"...não quero "ser"!

domingo, setembro 12, 2010

Do medo...

desm

(foto de BlueShell)



Tremi…senti-me desmoronar…
Caí abaixo do Futuro que julgava certo…
A Natureza segue seu curso…impassível!
Mas a Morte rondava perto.

Tremi…senti-me traída pela Vida escrita
Em papel de rascunho, sobras de sonhos
Sem Tempo de serem sonhados!
Porque a Morte rondava perto.


Raiva em aberto…este meu ruir …
Este meu sentir me eleva a Ti, decerto!

sábado, agosto 07, 2010

There's Life...

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(foto de BlueShell)


Há vida, ainda, escondida por trás do Tempo.
Há sílabas nas palavras … dadas.
E nas palavras há Esperança, Fé, Amor.
E no Tempo, meu amor, subsiste a Vida…