domingo, novembro 06, 2011

Sabes o que são ...as lágrimas dos anjos?

(Ligar o som...se puder dispor de uns minutos)




pri2

(Foto de BlueShell)

Há muitos anos atrás encantei-me por essa música…
Hoje não resisti à tentação de a colocar…
Um pequeno presente meu
A todos quantos sabem o que é …AMAR!




AMOR SELVAGEM
Marcus Viana,
em Novela Brasileira "PANTANAL".


Quando os corações dos puros amam
Cala a imensidão, o espaço
E a eternidade ergue seu véu


Todas coisas vivas se aquecem
Todos olhos se iluminam
Com a luz de um outro céu


Corações selvagens
Quando batem de paixão
Acordam toda a natureza
Fazem a vida renascer


Florestas que queimaram
Voltam a se vestir de verde e flor
E as fontes que secaram
Ressuscitam ribeirões


Corações selvagens
Quando ardem de paixão
Incendeiam a noite, o tempo
E cegam sóis


Estrelas são as lágrimas dos anjos
A chorar
Por não terem o corpo e a vida
E não saberem o que é amar







pri6

(Foto de BlueShell)

(A quantos me visitais peço um pouco de paciência comigo: farei por ter meu momento a sós com cada um de vós, de vos ler, vos "ouvir" pois esse é meu privilégio, minha a honra...só que vai demorar um pouquinho...está bem?)

terça-feira, novembro 01, 2011

(coisa típica dos machos de qualquer espécie)

bisc

(Foto de BlueShell)
Este já é conhecido na blogosfera: o terrível husky…
Aqui…parece uma coisinha doce….a dormir à sombra, no seu canil, com o seu brinquedo preferido e …numa pose …estranhíssima.
Faz isso várias vezes: nunca vi um cão adotar esta postura para dormir.
Está “derreado”! Noites agitadas…de insónia …que não deixam dormir os humanos ao redor. (tenho de o mandar castrar…)

Há uns tempos atrás aconteceu-me algo …insólito:
Era um fim de tarde de Novembro…fazia já um frio de rachar.
Saí à pressa do trabalho e, inadvertidamente, deixei o casaco num dos gabinetes.
Ao chegar à porta de casa procurei as chaves, mortinha que estava para entrar no aconchego do lar. Mas…das chaves…nem sinal.

O vento frio da Serra da Estrela entrava pela camisola de lã , as minhas mãos estavam roxas….e eu batia o dente. Bolas tinha deixado as chaves de casa no bolso do casaco!!!
Teria de esperar que meu marido chegasse a casa…sempre a horas incertas.

Então, num ato de desespero, "pedi licença ao husky" e fui para dentro da casota. Ali estaria mais abrigada do vento, pelo menos isso. Sentei-me e acomodei-me num tapete velho que, nunca como antes, me cheirava imenso a “cão”!
Ele, por sua vez, estranhou ver-me aninhada a um canto do seus “aposentos” e…pensou que a dona queria brincar: saltou, rebolou-se, queria lamber-me a cara. Deitou a pata por cima dos meus cabelos e arrancou aí uma boa dúzia até eu lhe dar um berro. Amuou. (coisa típica nos machos de qualquer espécie) …
O tempo passou mas, pelo menos eu não estava a “tinir de frio”!

Era já noite quando ouvi a voz do meu marido chamar…e eu respondi:
-“Amor, estou aqui!"
- “Aqui? Onde é o aqui? – perguntou ele sondando o jardim na penumbra que já se instalara.
- “Aqui, na casota do cão”- e nesse momento já eu me levantara, com um pé dormente e, a custo , me dirigi para o sítio onde ele estava e onde eu poderia, por fim, aquecer os meus ossos, já tão massacrados pelo frio e por alguma falta de espaço.

Não sei descrever a expressão dele ao ver-me sair da casota do cão, de dentro do canil e chegar à sua beira…cabelos em reboliço e a cheirar a cão.
Era uma expressão de incredulidade…e um olhar pleno de interrogações.

Pobre marido…deve ter pensado, por momentos, que a sua querida, esbelta, dedicada, frágil e adorada esposa tinha enlouquecido e …quando eu já ia fazer o movimento de o abraçar ele desferiu a pergunta que quase lhe valeu um estalo: - “ O cão? O cão está bem?!”
(coisa típica dos machos de qualquer espécie)

quinta-feira, outubro 27, 2011

Teu sol beija meus lábios!

tro1

(Foto de BlueShell)

É na força de teus braços que me deixo repousar
….
me entrego à ternura dos teus beijos …
….
E na fonte do teu corpo me deixo saciar!
…
Da minha boca escorrem as palavras magoadas
pelo Tempo…mas teu sol beija meus lábios
e cada abraço teu me mostra novas madrugadas.


tro

(Foto de BlueShell)

sábado, outubro 22, 2011

Sem ti!

dez1

(Foto de BlueShell)

Debrucei-me sobre a minha imensa solidão…
E, em baixo, no reflexo do Tempo
Não me reconheci!


Do alto da minha solidão eu soube então
Que não sei viver sem ti!


dez

(Foto de BlueShell)

terça-feira, outubro 18, 2011

Blue Shell...why?...

pr1

(Foto de BlueShell)

Atraquei num porto de palavras…e amarrei
Meu barco às sílabas soltas que saíam de sua boca!
Louca: pois que não vi o branco frio desse véu
Me cegar de eufemismos embalsamados…
Pensamentos estagnados presos em sílabas
Dispersas: areias no areal sem mar, sem sal….

Mas enquanto se banqueteava na sua fecunda
Hipocrisia [Homem …arrogante e opressor]…
Eu me libertei das sílabas mornas, sem sentido…
E corri, já sem o véu que me cobria…e me tolhia o ser…


Corri…e mergulhei, sem barco…ou medo algum
de perecer nesse mar, cor de céu, pleno de vida!
Me aconcheguei na minha essência,
Quase perdida, nela me firmei…
E em concha azul…me transformei!



pr3

(Foto de BlueShell)

sexta-feira, outubro 14, 2011

FRÁGIL

me

(Foto de BlueShell)

Todos nós temos as nossas fragilidades e todos nós sabemos disso.
Porém, há dias em que parece que todas as fragilidades nos aniquilam:
tudo nos dói…na alma, no corpo…
E mesmo o que ontem nos fazia sorrir…hoje nos magoa…porque nos fere com aguçado gume.
São dores que não podemos combater ou aniquilar… porque nos pertencem, fazem parte de nós.
Dores que alastram pelo corpo abandonado ao Tempo e às memórias.
E as memórias, essas …têm tanto de aconchego como de chaga.

Então…sentimos que temos de fugir de nós para fugir da dor…temos de nos fragmentar de nos reinventar…para encontrar um pouco de paz, de alívio…

Puro engano: tudo permanece…e tudo será em vão:
Nem o orvalho, nem a lágrima se reinventam em metáforas prenhes de ilusão…pois serão sempre orvalho…sempre lágrima e os passos que damos não sublimam o chão!

 

cont

(Foto de BlueShell)

domingo, outubro 09, 2011

Teu amanhecer em mim






mei

(Foto de BlueShell)


Amanheceste em minhas mãos
e teu Sol conquistou meu corpo,
me aqueceu,
me enlouqueceu de prazer…
Amanheceste em mim…
e eu me aconcheguei em ti
e me deixei extasiar …
sem pudor!


Amanheceste no meu âmago e me iluminaste
O querer…


Em puro júbilo…deixei-me simplesmente ser,
Amor.

(De coração agradeço a Evanir o seu carinho, postando um poema meu: obrigada amiga)

quarta-feira, outubro 05, 2011

DEMORA...





por

(Foto de BlueShell)


- Não, menina, aqui já não há ninguém…

os filhos, a bem dizer, naquele tempo de grande miséria,
Uns emigraram p’ro Brasil, p’lo sustento;
Outros, os mais novos, soube-se terem ido para França
Por lá ficaram …que deles não se ouviu
Mais notícia alguma…em todo este tempo, nada.
E os velhotes a modos que se deixaram
Consumir p'lo desgosto…
Iam tendo criação, umas belgas de terra:
Milho, umas videiras… oliveiras…milharada...
Viam-se, por vezes, a andar à lenha:
Primeiro foi-se ela, a ti’Amélia… Deus a tenha!
Depois, o Firmino, quem diria, sempre fino
Foi-se, menos de um ano depois, em agosto.

- Não, menina, aqui já não mora ninguém…



car

(Foto de BlueShell)

domingo, outubro 02, 2011

...cor..



ver

(Foto de BlueShell)

Sabes de que cor se veste a esperança?
Veste-se da cor do universo contida nos teus olhos quando despertas junto a mim e me abraças em silêncio.
Sabes de que cor se veste a esperança?
Veste-se do teu sorriso puro quando passas teus dedos por entre meus longos cabelos.
Veste-se das palavras que nossos olhares trocam num espaço e num tempo que mais ninguém conhece e que é só nosso …
Sabes de que cor se veste a esperança?
Veste-se do orvalho que rasga meu corpo de tanto te amar, de tanto te querer…
Veste-se de melodias só nossas, veste-se de cada novo amanhecer coroado de vida…
Sabes de que cor se veste a esperança?
Veste-se do sabor do teu corpo pronto na entrega e do meu deixar-me conter em ti.





ribeiro

(Foto de BlueShell)

terça-feira, setembro 27, 2011

Ainda me queres?





uv

(Foto de BlueShell)


Doces são esses beijos que te peço. E tropeço na Ideia do não ter …
Ainda me queres?

Vem vindimar meu corpo que é teu… É minha essência que te chama,
Ainda me queres?

Vem, traz teu néctar e, juntos, daremos calor aos lençóis da nossa cama.
Ainda me queres?

!Esclarecimento: não estou a  conseguir comentar em alguns blogs: comento mas depois o comentário não fica registado...não dá entrada! Peço desculpa, embora seja um problema que me transcende. Grata pela compreensão!
BlueShell


sexta-feira, setembro 23, 2011

Sinto demais…

teia

(Foto de BlueShell)


O Tempo faz e desfaz…
O Tempo leva e não traz!

E eu sinto que sinto demais…
Emaranhado de sentires pintados
em telas comidas pelos dias que ruíram
sob o peso do ser…
Sou teia frágil que prende a saudade
Com a força do muito querer!

segunda-feira, setembro 19, 2011

Que Susto!

ga

(Foto de BlueShell)

-Ai...!lindo bichano,que susto!!!


Esses olhos penetrantes,
lindos, cheios de vida...
dão encanto a um novo dia...
mas fazem-me sentir...despida!!!
...

quinta-feira, setembro 15, 2011

AFINAL...






can

(Foto de BlueShell)

A noite me abriga, me seduz…
Candeias envoltas na sombra.
Do mar, a espuma dos dias,
Flui e me foge…sem nada, sem luz.
E há vozes que chamam meu nome
Vozes que não reconheço…
Afinal…à noite nada digo, nada peço…
[Só queria ser criança outra vez…]

sábado, setembro 10, 2011

Silêncio-dor.




cad

(Foto de BlueShell)


Escondes a aloquete a dor que não dizes,
nem queres mostrar…
Porém eu vou além do teu silêncio …
vou e sei e sinto!


Mas a tua solidão, o teu sofrer
não consigo mitigar…e dói.
Porque estamos sós, ambos, no nosso silêncio-dor.


Escondo no sorriso amargurado
a melodia com que te quero embalar!
Partitura sem clave: é este o presente
que me invade, é este o meu fado, amor.

quarta-feira, setembro 07, 2011

Bichano madrugador...

bi

(foto de BlueShell)

Ai bicho, bichinho que foi que te deu?
Aninhas-te agora no vaso que é meu?
Bichano malandro, não tens onde ir?
Cuidado Bichinho, que ‘inda vais cair…


bi2

(foto de BlueShell)
Bichano lindinho, faz-me um favor:
Vai ver se está quente o teu cobertor…
E olha, se estiver, lindo bichanito
Dorme lá um sono…deixa o meu vasito.

domingo, setembro 04, 2011

Qualquer semelhença com um enredo de ficção...é pura coincidência!







abor

(foto de BlueShell)

A calma da tarde parecia queimar nossos corpos. Uma tarde de agosto, daquelas tardes de sol de figos e uvas e amoras e searas..
Dentro de casa o velho cão estava sorumbático…






abor2

(foto de BlueShell)

...depois ficou impaciente. Um cão sem vida “social” é um cão só…não obstante os mimos dos donos.

Fiz-me ao fogão e, num instante, arranjei uma merenda: batatas albardadas, rojões, carne assada no forno e, depois, fatiada; houve ainda tempo para fazer um bolo e uma pizza (receita minha). Havia melão, uvas e maçãs. Água e um sumo natural. Ah e pão! Enfiei tudo na cesta e numa outra, uma manta onde pudéssemos sentar-nos.
A tarde começava a refrescar quando nos metemos no carro que ainda abafava. Os meus cabelos compridos e louros caiam pelo colo mas tive de os prender com um gancho para não me fazerem transpirar ainda mais.
Sem uma rota, sem um destino…deixámo-nos levar pela estrada, quase sem movimento.
Viu-se então um largo e, no centro…uma pequena capela rodeada de imensas árvores. A sombra acolheu-nos com uma brisa leve e pura plena de cheiro a pinhais e a esperança.





tem

(foto de BlueShell)

Olhei disfarçadamente meu marido e vi que estava feliz. Então fiquei feliz. Naquela tarde de agosto o calor já não fazia doer. E quando estendi a toalha e nela coloquei toda a merenda eu era a mulher mais feliz do mundo.
A pequena capela …as árvores, o odor quente a campo…tudo estava em harmonia.
Levantei os olhos e o céu azul lá estava como que a querer abraçar-nos, unir-nos ainda mais. Uma união que não se consegue com os simples votos feitos frente a um Padre mas sim uma união plena, inteira…sem palavras pronunciadas…apenas com um estar, um olhar, um entender em silêncio cúmplice cortado, apenas, pelos movimentos dos pássaros agitados ainda do calor do dia.

Sentámo-nos para saborear a merenda …mas nesse momento eu soube…que connosco se havia sentado também o Medo. Um medo real…a iminência de um telefonema do IPO, médicos e seus diagnósticos, os elevadores com cheiro a medicamentos, os corredores vazios de sentido mas cheios de gente de expressão apagada. E senti uma dor terrível que me prendeu ao chão e me fez deixar escapar uma lágrima.
- “Não; este fim-de-tarde é nosso, apenas nosso!” – pensei, num misto de dor e raiva!
Olhei o meu marido mas não lhe vi o olhar: tinha os olhos cravados no chão. Adivinhei os seus pensamentos tal como ele adivinhara já os meus. Até o velho cão parecia cansado….mais velho ainda.
Senti que as mãos me tremiam e olhei, de novo o céu, numa prece muda…uma prece na qual entreguei todo o meu ser, toda a minha Fé…como se toda a minha energia convergisse para ela deixando-me prestes a desfalecer. E cerrei os olhos com muita força para que,…quando os abrisse, o Medo já tivesse ido embora de vez.






pin

(foto de BlueShell)

Não sei ao certo quanto tempo assim permaneci. Senti que o sol me tentava tirar do torpor em que havia imergido. Abri os olhos e parecia que o sol queria envolver-me, rompendo através do cedro que estava à minha frente. Até uma leve brisa, mais fresca, desalinhou meus cabelos compridos e louros…
Já não tinha medo.



den

(foto de BlueShell)

E naquela tarde de calma do mês de agosto, entre o muito amar e o muito temer…percebi que Alguém maior que o Medo estava ali comigo. Sempre estivera, afinal…


terça-feira, agosto 30, 2011

Todavia...



flo

(foto de BlueShell)

Nesse tempo havia
a suprema certeza de tudo!
[Todavia, flores eram flores…]
E os amores …sonhados…de príncipes alados,
Povoavam meus dias!
[Todavia, flores eram flores…]


Cresci sem saber…ninguém me avisou….
O tempo passou na roda do rio…
[Moinho que esmaga sonhos e trigo]
… E levou de nós a essência consigo!

sexta-feira, agosto 26, 2011

Da minha vontade...


barragem

(foto de BlueShell)

Terra, água…fonte de vida…escassa, quase perdida…
E ao fundo o céu por desvendar, parece um mar
No horizonte; e na minha vontade tudo na terra teria tons
De Verde, salpicado do branco do mal-me-quer ou do encarnado
Da papoila. E teria árvores frondosas onde pardais poderiam poisar!

sexta-feira, agosto 19, 2011

Memórias que alimentam a Vida.


adro

(foto de BlueShell)



Da infância feliz restam o cheiro dos cedros, o cantar dos pássaros, o céu azul, a capela em cujo adro tantas vezes brincou com seus irmãos…e as recordações de tudo isso.

Nesse tempo havia inocência suficiente para acreditar que o Tempo era todo nosso; que todos estariam vivos um dia. Que depois de cada inverno viria sempre uma primavera…

Nesse tempo ajudava o seu pai em algumas tarefas agrícolas. Ele era por as couves nos regos, chegar-lhe cântaros ao atomizador para “curar” as videiras, regar o feijão-verde, daquele de subir, e que ela por força do imaginar cria ser uma imensa floresta labiríntica…era a sementeira das batatas e, a meio da manhã, a “bucha ao pessoal”! Ainda hoje lhe estão a saber bem aquelas batatas cozidas com a pele e acompanhadas com bacalhau.….
Recorda-se de, já pela tardinha, em pleno verão, andar a apanhar cebolas com a Ti’Anunciação.

Mas também brincava: um dia ela e o seu irmão estavam a competir para ver quem fazia em menor tempo, de bicicleta, uma recta da estrada entre Aldeia Nova e sua casa. Ela via o seu irmão lá ao fundo, já na curva. Pegou na bicicleta e começou a pedalar com quanta energia tinha. Tudo parecia estar a encaminhar-se para a vitória. Mas a certo momento, a estrada de macadame, fez com que o guiador lhe saísse das mãos e, descontrolada, a roda da frente rodou sobre si mesma projectando-a a alguns 5 metros à frente. Atordoada e com dores viu, pelo canto do olho, o irmão correr para si. A custo levantou-se e não deu “parte fraca”! Sei que nessa noite o pai tinha planeado levá-los ao Circo, a Mangualde, e não obstante as dores e o mercurocromo…lá foram como se o dia não tivesse tido ainda emoções suficientes.

terça-feira, agosto 09, 2011

hummmm...não me apanhas...




bis

(Foto de BlueShell)

-“Eu vou entrar!”
- “Ai não vais, não”…
- “Porquê?”
- “Porque tens o teu canil, a tua casota, o teu tapete, é lá que deves estar.”
- “Mas eu quero entrar no canil da dona e do dono!”.
- “Não, já disse”!
- “Mas eu sou um cão bonito, a dona está sempre a dizer isso e eu finjo que não ouço, mas eu sei que sou um cão deveras bonito”!
- “Ah, …podes ser bonito, mas és teimoso, desobediente, fixado em gatos, comes as plantas da dona, fazes buracos no jardim e largas pêlos por todo o lado, portanto esquece: não entras!”
– “Oh, Vá lá…olha como os meus olhos ficaram tristinhos…”
- “ Já conheço o “choradinho”, fazer “beicinho” já não pega. Não entras, e ponto final.”
- “Pronto, então vou para o meu canil.”
Dá meia volta “abocanha” o tapete da entrada e leva-o consigo. O triste tapete vê-se, de súbito sacudido, amarfanhado e grita:
- “Larga-me cão estúpido, deixa-me no meu lugar…ai que me abanas a estrutura, não me leves para o canil…estás a encher-me de saliva, pára com isso.”
Aos gritos do tapete juntam-se os gritos da dona:
- “Larga, larga o tapete da dona, pára com isso…vem cá, vem à dona….” (mas não vem, ignora.)
Neste ponto larga o tapete e corre intempestivamente em direcção ao muro onde, divertido, o gato da vizinha assiste à cena.
- “Pronto, já apanhei o tapete (ui…está quase desfeito..). Aiiii…não, o gato não, porra…não, não…deixa o gato, vem aqui! Já! Tudo menos o gato…”
- “E então? …agora já posso entrar no canil da dona e do dono?”
(um dia destes tenho de o “capar”: não há quem aguente as suas investidas malucas, a sua capacidade de manipular todos com aqueles olhinhos – um azul, outro esverdeado).