quarta-feira, dezembro 08, 2004

Do outro lado


tempes


As manhãs frias deixam lágrimas a escorrer pelas vidraças.
Do lado de fora...o frio! As pessoas que apressadas correm...atordoadas!
Vêem-se as árvores despidas, sacudidas pelo vento implacável!
Fustigado pelo mesmo vento...é o meu pensamento!
E, que coisa espantosa esta,...eu que cá do lado de dentro não tinha frio, senti um arrepio...gélido, cortante, penetrante...
O dia convida à agitação: o trabalho espera mas impacienta-se, coitado!
São horas. A pontualidade é uma virtude...mas começar sem café...ai, isso não!
Pronto, agora sim...ao ataque: papéis para arquivar; papéis para afixar; papéis, para dar baixa no computador; papéis para seguirem no correio; papéis que deviam ter sido feitos ontem...e o dia começa a correr mal...Súbito, o mesmo arrepio...apesar do "ar condicionado"...
O olhar o relógio não ajuda! Enerva! Estou com vontade de praguejar! Não posso, parece mal, não fica bem...que diabo! E os papéis continuam a chegar, agora sob a forma de gigantescos castelos de "Dossiers"... - "Isso é que era bom" - penso de mim para mim...lá para daqui a uma semana tenho isto pronto! NÃO! tem de ser HOJE!

E é nesta fase que eu começo a fazer poemas: uns tristes, outros sensuais...outros são desabafos de quem já perdeu TEMPO demais.
E como sei que não recuperarei esse Tempo jamais...só me resta fazer poemas...uns após outros, cada vez mais...

21 comentários:

Pedro Emanuel disse...

E ser não é estar? E quando está não se é?
Nem tudo é permanente...

Um beijo

Pedro Emanuel disse...

E ser não é estar? E quando se está não se é?
Nem tudo é permanente...

Um beijo

martelo disse...

NÃO VALE A PENA FICAR ASSIM por causa do frio... olha os poemas sensuais aquecem...

chemistry disse...

Não está assim tanto frio;) escreve, no entanto, que o teu escrever faz falta.

Dark-Templar disse...

Eu peço desculpa se ofendi em algo, eu deduzi que o teu comentário tivesse a ver com o meu comentário no teu post "Hoje não!"

Muitas vezes não se consegue compreender quem está do outro lado a escrever, no entanto somos todos livres de opinar, sem ofender claro, se foi o meu caso, quero que saibas que não era minha intenção.

Beijos

O Turista disse...

Pois se escrever te anima, força...
Ahh já agora para mim começar sem um café tb não dá... :p É mesmo algo imperativo!!!
bjs

O Turista - http://www.turistar.blogspot.com

Anónimo disse...

De facto há diferenças entre o SER triste e o ESTAR triste, apesar de o ser implicar o estar. É contudo, uma questão de durabilidade e maior profundidade de um estado. Por vezes não significa que as pessoas não entendam. Falo por mim: entendendo prefiro agarrar na questão no sentido do recuperável e de não rendição a um estado. Opto por acender a luz e começar a fazer caminhar em vez de permanecer com a luz apagada a movimentar-me na escuridão. Dá para entender?
Se escrever poemas tiver uma efectiva utilidade interior, para além do que de belo pode mostrar a quem lê, então sim vale a pena escrevê-los. Mais: vale a pena pensar neles, na sua elaboração e mesmo no seu ilustrar. Se assim for verifica-se o nascimento e evolução ou crescimento do poema que acompanha aquilo que e nós é ou pode ser modificado (para melhor). Podem existir o tipo de dias que existirem, podem existir os papéis e dossiers aos montes, pode existir tudo o que em fora de nós é caos, desordem, stress, etc... mas se a partir de dentro tivermos capacidade/força/vontade para fazer nascer algo que nos evada, fazendo feliz, então existir vale a pena. Interioridade para além da exterioridade.

Beijo grande,

Sandra
(Void)

O Micróbio disse...

Ao ler estas tuas palavras, reparei numa coisa muito importante... ainda não tomei café! Até já!! :-))

Seila disse...

Li ontem pela madrugada o teu coment sobre o ser e o estar triste e haver gente que adiferença não percebe...e fiquei pensando se era dizer teu sòmente, ou resposta algo que tivera eu escrito. Não sei. pareceu-me grito. Pareceu-me o grito que continuas dando agora neste escrito. Não sei! de ser querias dizer contínuo e estar de momento, entendo, mas não sei!apenas é o que entendi!
e mais que isso, e importante achei, o grito esse que aqui vejo e que me diz que estar e ser te estão sendo bem diferentes... em tristeza, trabalho ou rir pode-se estar... e SER não SER realmente. Mas é tão bom quando se atinge o estadio de estar sendo a cada momento! Um grande beijo, Blue!

Seila disse...

Um beijo do tamanho de TUDO e a VIDA Blue tgudo vai dando para que agente a sinta tal qual é! Percebe que tudo o que nos acontece á ela a VIDA a ditar-nos o SER!
As melhoras do pai e acredita muito em ti e na VIDA, Blue!

óssóbó disse...

Nada é fácil a não ser o que pouco tem valor. Quanto mais custa a atingir um objectivo mais valor tem o "prémio" de quem o consegue, mesmo que os outros não saibam.Nunca ninguem explicou como se ultrapassa uma dor... ou uma dificuldade.Mas, está sempre em nós a capacidade de saltar a barreira...na nossa força interior e ela está lá! A primeira coisa é ser capaz de dizer: - eu quero!...

Luis Duverge disse...

Olho o vento perdido, que procura
No rodopiar alguém a quem falar,
Não, esta noite as folhas já partiram,
As famílias …trocam sorrisos em ceias fartas
De solidão no sentir ...
Um beijo ...até ao fundo do mar

Águas de Março disse...

Escreve os teus poemas! São mil vezes mais importantes que essa tarefa impessoal e subjectiva que vives no escritório. E se são eles que te permitem ir atravessando a insipidez dos dias, não os relegues para segundo plano - o escritório sobrevive à mesma.
Um beijinho grande,
Ana Maria

Didas disse...

Bom post, como sempre.

Bonito.

A.Mello-Alter disse...

A foto parece a manhã de hoje do meu Alentejo.
Sem ar condicionado,a ponta do nariz vermelha e as mãos enregeladas, só nos apetece dizer:Frio do c.......
Mas que é bonito é.

polittikus disse...

Gosto do rio e do evoeiro, vejo que este tempo a ti te po~e melancólica...

Nilson Barcelli disse...

Eu praguejo mesmo quando me acontece a "invasão dos papéis". E às vezes dou comigo a falar sozinho por causa dos virtuais, que são como chuva. E não me dá para fazer poemas (também não sei...).
Gosto como descreves situações deste tipo. Consegues fazê-lo de uma maneira absolutamente diferente e é uma característica (boa) muito tua.
Beijos.

alexandrantunes disse...

Querida Blueshell, ao ler as tuas palavras vi nelas o reflexo daquilo que têm sido os meus dias de trabalho... aqueles momentos em que temos a sensação de podermos "morrer" afogadas na papelada... é engraçado, por um lado, todo esse stress sufoca-me e também se deve ao facto de querer fazer "Roma e Pavia num só dia"; por outro, parece dar-me mais energias... faz-me sentir viva.
p.s.: todo o tempo que gastares a criar poesia jamais será perdido e em vão. Um beijo com carinho :*

Anónimo disse...

cá estarei para os ler. Bjs.

corrupto.

lobices disse...

...um beijinho...obrigado

Manuel Luis disse...

Tomei o meu café a olhar para esta neblina e arrepiei-me.
Cada poema teu é um sonho, cada foto é um sorriso. Continua assim mas desejo-te o melhor.
Beijos