segunda-feira, setembro 19, 2011

Que Susto!

ga

(Foto de BlueShell)

-Ai...!lindo bichano,que susto!!!


Esses olhos penetrantes,
lindos, cheios de vida...
dão encanto a um novo dia...
mas fazem-me sentir...despida!!!
...

quinta-feira, setembro 15, 2011

AFINAL...






can

(Foto de BlueShell)

A noite me abriga, me seduz…
Candeias envoltas na sombra.
Do mar, a espuma dos dias,
Flui e me foge…sem nada, sem luz.
E há vozes que chamam meu nome
Vozes que não reconheço…
Afinal…à noite nada digo, nada peço…
[Só queria ser criança outra vez…]

sábado, setembro 10, 2011

Silêncio-dor.




cad

(Foto de BlueShell)


Escondes a aloquete a dor que não dizes,
nem queres mostrar…
Porém eu vou além do teu silêncio …
vou e sei e sinto!


Mas a tua solidão, o teu sofrer
não consigo mitigar…e dói.
Porque estamos sós, ambos, no nosso silêncio-dor.


Escondo no sorriso amargurado
a melodia com que te quero embalar!
Partitura sem clave: é este o presente
que me invade, é este o meu fado, amor.

quarta-feira, setembro 07, 2011

Bichano madrugador...

bi

(foto de BlueShell)

Ai bicho, bichinho que foi que te deu?
Aninhas-te agora no vaso que é meu?
Bichano malandro, não tens onde ir?
Cuidado Bichinho, que ‘inda vais cair…


bi2

(foto de BlueShell)
Bichano lindinho, faz-me um favor:
Vai ver se está quente o teu cobertor…
E olha, se estiver, lindo bichanito
Dorme lá um sono…deixa o meu vasito.

domingo, setembro 04, 2011

Qualquer semelhença com um enredo de ficção...é pura coincidência!







abor

(foto de BlueShell)

A calma da tarde parecia queimar nossos corpos. Uma tarde de agosto, daquelas tardes de sol de figos e uvas e amoras e searas..
Dentro de casa o velho cão estava sorumbático…






abor2

(foto de BlueShell)

...depois ficou impaciente. Um cão sem vida “social” é um cão só…não obstante os mimos dos donos.

Fiz-me ao fogão e, num instante, arranjei uma merenda: batatas albardadas, rojões, carne assada no forno e, depois, fatiada; houve ainda tempo para fazer um bolo e uma pizza (receita minha). Havia melão, uvas e maçãs. Água e um sumo natural. Ah e pão! Enfiei tudo na cesta e numa outra, uma manta onde pudéssemos sentar-nos.
A tarde começava a refrescar quando nos metemos no carro que ainda abafava. Os meus cabelos compridos e louros caiam pelo colo mas tive de os prender com um gancho para não me fazerem transpirar ainda mais.
Sem uma rota, sem um destino…deixámo-nos levar pela estrada, quase sem movimento.
Viu-se então um largo e, no centro…uma pequena capela rodeada de imensas árvores. A sombra acolheu-nos com uma brisa leve e pura plena de cheiro a pinhais e a esperança.





tem

(foto de BlueShell)

Olhei disfarçadamente meu marido e vi que estava feliz. Então fiquei feliz. Naquela tarde de agosto o calor já não fazia doer. E quando estendi a toalha e nela coloquei toda a merenda eu era a mulher mais feliz do mundo.
A pequena capela …as árvores, o odor quente a campo…tudo estava em harmonia.
Levantei os olhos e o céu azul lá estava como que a querer abraçar-nos, unir-nos ainda mais. Uma união que não se consegue com os simples votos feitos frente a um Padre mas sim uma união plena, inteira…sem palavras pronunciadas…apenas com um estar, um olhar, um entender em silêncio cúmplice cortado, apenas, pelos movimentos dos pássaros agitados ainda do calor do dia.

Sentámo-nos para saborear a merenda …mas nesse momento eu soube…que connosco se havia sentado também o Medo. Um medo real…a iminência de um telefonema do IPO, médicos e seus diagnósticos, os elevadores com cheiro a medicamentos, os corredores vazios de sentido mas cheios de gente de expressão apagada. E senti uma dor terrível que me prendeu ao chão e me fez deixar escapar uma lágrima.
- “Não; este fim-de-tarde é nosso, apenas nosso!” – pensei, num misto de dor e raiva!
Olhei o meu marido mas não lhe vi o olhar: tinha os olhos cravados no chão. Adivinhei os seus pensamentos tal como ele adivinhara já os meus. Até o velho cão parecia cansado….mais velho ainda.
Senti que as mãos me tremiam e olhei, de novo o céu, numa prece muda…uma prece na qual entreguei todo o meu ser, toda a minha Fé…como se toda a minha energia convergisse para ela deixando-me prestes a desfalecer. E cerrei os olhos com muita força para que,…quando os abrisse, o Medo já tivesse ido embora de vez.






pin

(foto de BlueShell)

Não sei ao certo quanto tempo assim permaneci. Senti que o sol me tentava tirar do torpor em que havia imergido. Abri os olhos e parecia que o sol queria envolver-me, rompendo através do cedro que estava à minha frente. Até uma leve brisa, mais fresca, desalinhou meus cabelos compridos e louros…
Já não tinha medo.



den

(foto de BlueShell)

E naquela tarde de calma do mês de agosto, entre o muito amar e o muito temer…percebi que Alguém maior que o Medo estava ali comigo. Sempre estivera, afinal…


terça-feira, agosto 30, 2011

Todavia...



flo

(foto de BlueShell)

Nesse tempo havia
a suprema certeza de tudo!
[Todavia, flores eram flores…]
E os amores …sonhados…de príncipes alados,
Povoavam meus dias!
[Todavia, flores eram flores…]


Cresci sem saber…ninguém me avisou….
O tempo passou na roda do rio…
[Moinho que esmaga sonhos e trigo]
… E levou de nós a essência consigo!

sexta-feira, agosto 26, 2011

Da minha vontade...


barragem

(foto de BlueShell)

Terra, água…fonte de vida…escassa, quase perdida…
E ao fundo o céu por desvendar, parece um mar
No horizonte; e na minha vontade tudo na terra teria tons
De Verde, salpicado do branco do mal-me-quer ou do encarnado
Da papoila. E teria árvores frondosas onde pardais poderiam poisar!

sexta-feira, agosto 19, 2011

Memórias que alimentam a Vida.


adro

(foto de BlueShell)



Da infância feliz restam o cheiro dos cedros, o cantar dos pássaros, o céu azul, a capela em cujo adro tantas vezes brincou com seus irmãos…e as recordações de tudo isso.

Nesse tempo havia inocência suficiente para acreditar que o Tempo era todo nosso; que todos estariam vivos um dia. Que depois de cada inverno viria sempre uma primavera…

Nesse tempo ajudava o seu pai em algumas tarefas agrícolas. Ele era por as couves nos regos, chegar-lhe cântaros ao atomizador para “curar” as videiras, regar o feijão-verde, daquele de subir, e que ela por força do imaginar cria ser uma imensa floresta labiríntica…era a sementeira das batatas e, a meio da manhã, a “bucha ao pessoal”! Ainda hoje lhe estão a saber bem aquelas batatas cozidas com a pele e acompanhadas com bacalhau.….
Recorda-se de, já pela tardinha, em pleno verão, andar a apanhar cebolas com a Ti’Anunciação.

Mas também brincava: um dia ela e o seu irmão estavam a competir para ver quem fazia em menor tempo, de bicicleta, uma recta da estrada entre Aldeia Nova e sua casa. Ela via o seu irmão lá ao fundo, já na curva. Pegou na bicicleta e começou a pedalar com quanta energia tinha. Tudo parecia estar a encaminhar-se para a vitória. Mas a certo momento, a estrada de macadame, fez com que o guiador lhe saísse das mãos e, descontrolada, a roda da frente rodou sobre si mesma projectando-a a alguns 5 metros à frente. Atordoada e com dores viu, pelo canto do olho, o irmão correr para si. A custo levantou-se e não deu “parte fraca”! Sei que nessa noite o pai tinha planeado levá-los ao Circo, a Mangualde, e não obstante as dores e o mercurocromo…lá foram como se o dia não tivesse tido ainda emoções suficientes.

terça-feira, agosto 09, 2011

hummmm...não me apanhas...




bis

(Foto de BlueShell)

-“Eu vou entrar!”
- “Ai não vais, não”…
- “Porquê?”
- “Porque tens o teu canil, a tua casota, o teu tapete, é lá que deves estar.”
- “Mas eu quero entrar no canil da dona e do dono!”.
- “Não, já disse”!
- “Mas eu sou um cão bonito, a dona está sempre a dizer isso e eu finjo que não ouço, mas eu sei que sou um cão deveras bonito”!
- “Ah, …podes ser bonito, mas és teimoso, desobediente, fixado em gatos, comes as plantas da dona, fazes buracos no jardim e largas pêlos por todo o lado, portanto esquece: não entras!”
– “Oh, Vá lá…olha como os meus olhos ficaram tristinhos…”
- “ Já conheço o “choradinho”, fazer “beicinho” já não pega. Não entras, e ponto final.”
- “Pronto, então vou para o meu canil.”
Dá meia volta “abocanha” o tapete da entrada e leva-o consigo. O triste tapete vê-se, de súbito sacudido, amarfanhado e grita:
- “Larga-me cão estúpido, deixa-me no meu lugar…ai que me abanas a estrutura, não me leves para o canil…estás a encher-me de saliva, pára com isso.”
Aos gritos do tapete juntam-se os gritos da dona:
- “Larga, larga o tapete da dona, pára com isso…vem cá, vem à dona….” (mas não vem, ignora.)
Neste ponto larga o tapete e corre intempestivamente em direcção ao muro onde, divertido, o gato da vizinha assiste à cena.
- “Pronto, já apanhei o tapete (ui…está quase desfeito..). Aiiii…não, o gato não, porra…não, não…deixa o gato, vem aqui! Já! Tudo menos o gato…”
- “E então? …agora já posso entrar no canil da dona e do dono?”
(um dia destes tenho de o “capar”: não há quem aguente as suas investidas malucas, a sua capacidade de manipular todos com aqueles olhinhos – um azul, outro esverdeado).


terça-feira, agosto 02, 2011

as férias...

Sim, nem posso crer...férias.
Depois de um ano de trabalho, um ano de sustos, um ano a caminhar para o IPO de Coimbra...
Finalmente as coisas parece estarem a compor-se.

o MEDO é ainda uma constante...porém a Fé me orienta. Não, não tenho porque esconder: sou uma muher de Fé e cada vez acredito mais que há um ser Superior que olha por nós...apesar de tudo o que acontece.

E cada novo dia é um dia para agradecer estarmos vivos: seja um dia de sol, de chuva, de neve, de calor, ou frio intenso...o importante é estarmos perto dos que amamos e quase perdemos. O importante é vermos mais um amanhecer...e darmos Graças Por Isso!

Sofri algumas desilusões: houve quem rejubilasse com a notícia da doença do meu marido. (vós sabeis que eu sei, não é?); houve quem não desistisse de nos querer magoar...mesmo quando a dor era já tanta. Eu não o esquecerei.
Mas também houve bons amigos que sempre nos deram conforto e apoio. Também não o esquecerei.
A esses o meu "muito Obrigada".

Houve uma pessoa que um dia me disse mais ou menos isto: "se caminhares pelo areal e, olhando para trás, vires apenas um par de pegadas...não julgues que estás só: é Deus que te leva ao colo e as pegadas , na areia, são dele."

Sei disso, agora.

E houve ainda alguém que disse: " Não faças da tua vida um rascunho: quem sabe não terás tempo de a passar a limpo"!

Com a ajuda de Deus tenciono Viver enquanto me for permitido. Ajudar, estar presente junto de quem precisa...e quem me conhece sabe...que poderá contar com uma dose de bom humor...apesar de tudo.

Deixo um abraço a todos quantos aqui passarem e me lerem.

BlueShell...a concha!

terça-feira, julho 26, 2011

Não esqueço...



escada


Faço que desço mas me elevo…
Passo por estar …
Mas dou passo após passo… devagar!
Passo por nada saber…
Mas sinto que sei demais!
Faço que levo ao passado
As afrontas que trago presentes…
E onde eu estiver…vós estais:
Arguidos sem banco de réus,
Alvo sereis da Justiça dos Céus!

segunda-feira, junho 06, 2011

De Dentro

dentro


(foto de BlueShell)

De dentro pode ver a natureza casta, imaculada...
De dentro pode sentir a protecção que o rodeia...
De dentro pode vir o amor, o sonho, a gargalhada!

terça-feira, maio 17, 2011

De fora.




fora

(foto de BlueShell)

Cheguei e fechei a porta atrás de mim como se de lá de fora nada, nem ninguém, me pudesse magoar. E desejei ficar, simplesmente ficar ali do lado de dentro da porta, agora fechada à chave. Era o meu refúgio, o meu poder escapar às investidas da Vida…e dos Homens.


Açoitada pela crueldade, pela ganância e inveja de alguns…deixara de crer em todos.

Lá fora tudo me é hostil.
Lá fora eu não compreendo, não sei mais do que aquilo que vejo ou ouço: sorrisos e palavras fáceis. São mantos que escondem arrogância, malícia e mentira. A essência não é mais que podridão. Todos se enganam e enganam-se uns aos outros: pactuam com a mentira, com a hipocrisia: e quando o incauto menos espera é quando sobre ele caem os que há pouco lhe faziam juras de amizade eterna.
Não…não compreendo…e fecho a porta atrás de mim.

De fora vêm apenas os ruídos longínquos de um ou outro carro que passa. Mas eu estou segura, agora. Porque me fecho dentro de mim. E a porta está fechada e eu estou do lado de dentro da porta.

sábado, maio 07, 2011

LIMITES

aban


(foto de BlueShell)

E sinto esta vontade de transpor limites…
…desvendar o abandono,
Vê-lo por dentro.
[Fantasmas “voando em formação”…]
E a bruma e a cerração turvam o quadro,
Pintado a aguarela,…essa visão do passado…
E não me revejo nela…
E o ranger das tábuas do sobrado
Conta-me histórias de vidas preenchidas,
Vidas plenas da lida que se leva e leva os dias…
[Fantasmas “voando em formação”…]

Mas nos vidros das janelas
Já não vejo olhares ávidos de ser….
É nelas que o reflexo do presente
Me fere e amordaça…refém dum Tempo
Que já foi…levando a vida de graça.

sábado, abril 30, 2011

Foi uma flor...

 
(Foto de BlueShell)



…e o tempo de florir passou…

Passou como brisa leve…

Passou também o rio…

Passou o suspiro breve…

E a lágrima que pousou no chão.

Estuário de mim…

Passou o querer e o ter…

Passou o saber e a razão…

…e o tempo de florir passou…

O Sol se encobre…a flor se esconde e morre!

sábado, abril 23, 2011

FELIZ PÁSCOA

sin


(foto de BlueShell)


Desejo a todos quantos aqui passarem uma Páscoa Feliz e Abençoada


terça-feira, abril 05, 2011

Cristalina

fonte

(foto de BlueShell)


Oh, sim...cristalina a tua imagem... e a minha sede de te ter em mim. Fina e ténue a linha nua que se estende entre o tu seres meu e a minha vontade de ser tua...

sexta-feira, março 18, 2011

Metáfora da Vida

roda

(foto de BlueShell)




É assim, aVida...
Uma roda que desliza numa calha...
o Destino...é esse mesmo...está ali...
Vidas presas num pedaço de chão...
Que, inexorável, nos ilude mas não falha!

domingo, março 06, 2011

(in)segurança

longe

(foto de BlueShell)



E há ainda o medo…o viver atrás da cortina que esconde
O que pode vir a ser.
Vive-se a agradecer estar-se vivo mais um novo dia…mas
Vive-se temendo… e logo a Felicidade se adia….