(Foto de BlueShell)
Este já é conhecido na blogosfera: o terrível husky…
Aqui…parece uma coisinha doce….a dormir à sombra, no seu canil, com o seu brinquedo preferido e …numa pose …estranhíssima.
Faz isso várias vezes: nunca vi um cão adotar esta postura para dormir.
Está “derreado”! Noites agitadas…de insónia …que não deixam dormir os humanos ao redor. (tenho de o mandar castrar…)
Há uns tempos atrás aconteceu-me algo …insólito:
Era um fim de tarde de Novembro…fazia já um frio de rachar.
Saí à pressa do trabalho e, inadvertidamente, deixei o casaco num dos gabinetes.
Ao chegar à porta de casa procurei as chaves, mortinha que estava para entrar no aconchego do lar. Mas…das chaves…nem sinal.
O vento frio da Serra da Estrela entrava pela camisola de lã , as minhas mãos estavam roxas….e eu batia o dente. Bolas tinha deixado as chaves de casa no bolso do casaco!!!
Teria de esperar que meu marido chegasse a casa…sempre a horas incertas.
Então, num ato de desespero, "pedi licença ao husky" e fui para dentro da casota. Ali estaria mais abrigada do vento, pelo menos isso. Sentei-me e acomodei-me num tapete velho que, nunca como antes, me cheirava imenso a “cão”!
Ele, por sua vez, estranhou ver-me aninhada a um canto do seus “aposentos” e…pensou que a dona queria brincar: saltou, rebolou-se, queria lamber-me a cara. Deitou a pata por cima dos meus cabelos e arrancou aí uma boa dúzia até eu lhe dar um berro. Amuou. (coisa típica nos machos de qualquer espécie) …
O tempo passou mas, pelo menos eu não estava a “tinir de frio”!
Era já noite quando ouvi a voz do meu marido chamar…e eu respondi:
-“Amor, estou aqui!"
- “Aqui? Onde é o aqui? – perguntou ele sondando o jardim na penumbra que já se instalara.
- “Aqui, na casota do cão”- e nesse momento já eu me levantara, com um pé dormente e, a custo , me dirigi para o sítio onde ele estava e onde eu poderia, por fim, aquecer os meus ossos, já tão massacrados pelo frio e por alguma falta de espaço.
Não sei descrever a expressão dele ao ver-me sair da casota do cão, de dentro do canil e chegar à sua beira…cabelos em reboliço e a cheirar a cão.
Era uma expressão de incredulidade…e um olhar pleno de interrogações.
Pobre marido…deve ter pensado, por momentos, que a sua querida, esbelta, dedicada, frágil e adorada esposa tinha enlouquecido e …quando eu já ia fazer o movimento de o abraçar ele desferiu a pergunta que quase lhe valeu um estalo: - “ O cão? O cão está bem?!”
(coisa típica dos machos de qualquer espécie)